Argentina vai usar a "camisola da sorte" frente à Inglaterra. Conheça a história
- 15/07/2026 04:21
- Redação
A Argentina pediu à FIFA, que acedeu, para vestir o equipamento secundário na meia-final do Mundial 2026 frente à Inglaterra, esta quarta-feira. Um pedido que, de acordo com a imprensa argentina, se deve à crença de que, nas alturas de maior necessidade, em especial perante os adamastores ingleses, o equipamento azul está lá para os ajudar.
A seleção argentina venceria o duelo dos quartos de final do Mundial 1986, por 2-1, e prosseguiria rumo à conquista do troféu, o segundo.
A Argentina também estava de azul no dia 30 de junho de 1998, quando voltou a derrotar a Inglaterra, desta vez nos oitavos de final.
Sul-americanos e britânicos empataram a dois golos (o primeiro, de Michael Owen, a fazer lembrar Maradona) ao fim de 120 minutos — que incluíram uma simulação de Diego Simeone (atual treinador do Atlético de Madrid) que levou à expulsão de David Beckham e ainda um golo mal anulado a Sol Campbell. Nos penáltis, venceu a Argentina.
Houve mais três encontros entre Inglaterra e Argentina em Mundiais e todos sorriram à equipa dos Três Leões. No primeiro, em 1962 (3-1), os argentinos até usaram o equipamento alternativo, escuro. Em 1966 (ano em que os ingleses se sagraram campeões do mundo, em casa) e 2002, no entanto, o equipamento utilizado foi o das riscas albicelestes.
Inicialmente, nem sequer havia cores alternativas. No Mundial 1958, na Suécia, a Argentina foi sorteada no grupo da Alemanha, que veste de branco. A equipa sul-americana, que não tinha viajado com camisola secundária, teve de ir à procura de uma solução de recurso. Eis que surgiu o Malmö, que emprestou a sua camisola, tradicionalmente amarela, que se tornou a segunda vestimenta oficial dos argentinos na Suécia.
Foi mesmo no México 1986 que a tradição, ou superstição, da "camisola da sorte" da Argentina surgiu. Depois do triunfo sobre o Uruguai, nos oitavos de final, os jogadores manifestaram preocupação com o estado das camisolas secundárias, feitas de algodão, que tinham ficado pesadas devido às condições climatéricas, em concreto a humidade. Não dava para usá-las no jogo seguinte, com a Inglaterra, contudo, o fabricante Le Coq Sportif não conseguia produzir uma alternativa mais clara a tempo.
A solução encontrada foi percorrer as ruas da Cidade do México em busca de uma camisola que servisse o propósito. Encontraram duas, ambas azuis, que pesaram, mas entre as quais não conseguiam escolher. Até que, segundo contam, Maradona apareceu, apontou para uma e declarou: "Essa camisola é boa. Vamos derrotar a Inglaterra com ela."
O adjunto Ruben Moschella comprou 38 exemplares da camisola eleita por Maradona. Um designer teceu réplicas do escudo da Federação Argentina de Futebol, que foram cozidas nos equipamentos, e os números foram estampados à pressa com um ferro de engomar. A premonição cumpriu-se: a Argentina derrotou a Inglaterra com aquelas camisolas.
Resta saber, agora, se a "camisola da sorte" continuará a ajudar a Argentina. E se essa é, sequer, a razão para Messi e companhia usarem o azul escuro frente à Inglaterra ou se foi uma simples questão de lógica.
A preferência da FIFA é que cada seleção vista as cores primárias. Por vezes, todavia, as cores são demasiado parecidas — como o branco da Inglaterra e as riscas brancas e azul-claro da Argentina, por exemplo — e a solução ideal, até para os adeptos com algum tipo de daltonismo, é combinar uma camisola clara com uma escura, para o contraste.
Inglaterra e Argentina defrontam-se esta quarta-feira, às 20h00, em Atlanta, nos Estados Unidos. O vencedor marcará duelo, na final de domingo, em Nova Jérsia, com a Espanha, que derrotou a França.