"Um milhão de idosos em 2070 não vão ter familia para cuidar deles"
- 15/07/2026 03:39
- Redação
A diretora da PORDATA, Luísa Loura, calcula que em 2070, um milhão de idosos não terão quase ninguém da sua família para cuidar deles em Portugal. A especialista em Estatística estima que muitos futuros idosos não vão ter irmãos, filhos ou netos para prestarem cuidados em idades mais avançadas.
Face a estes dados, o ex-ministro da Educação David Justino alerta para a necessidade de transferência massiva de mecanismos de apoio do âmbito familiar para o setor solidário, privado ou público num cenário a 40 anos. "É um problema real e objetivo, que já existe e que se vai agravar", adverte o antigo ministro do PSD.
Os dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Estatística já permitem constatar que há mais pessoas a viver sozinhas e menos famílias com crianças. De acordo com a sistematização publicada pela PORDATA, no espaço de 10 anos, entre 2015 a 2025, o número de pessoas a viverem sozinhas aumentou 33%, totalizando 1,18 milhões de residentes, mais 293 mil do que em 2015.
Este fator está na base do aumento de 11,5% dos agregados familiares neste espaço temporal. Estão contabilizados 4,6 milhões de agregados para 11,4 milhões de residentes.
Em Portugal, apenas 25% dos agregados familiares têm crianças, uma queda de 5,7 pontos percentuais face a 2015, de acordo com a PORDATA. Por comparação, na União Europeia, entre 2015 e 2025, a proporção de famílias sem crianças aumentou 2,6 pontos percentuais.
A fecundidade está abaixo do limiar de renovação de gerações. Em 2024, a expectativa de número de filhos por mulher, aos 15 anos, era de 1,4.
De acordo com a PORDATA, o indicador mantém-se acima de 1 até aos 28 anos, mas cai para os 0,4 a partir dos 35. "Estima-se que 6 em cada 10 mulheres com idades entre os 35 e os 49 anos não venham a ter mais filhos", pode ler-se na publicação que a PORDATA lançou no Dia Mundial da População.
Outro dado relevante é o peso das mães estrangeiras no travão à quebra no número de nascimentos. "Sem os bebés de mães estrangeiras, a quebra dos nascimentos no período pós-pandemia teria atingido os 15,1%. O peso destes nascimentos passou de 10% para 21,6% entre os períodos pré e pós-pandemia", sublinha a PORDATA.
A população idosa está a crescer a um ritmo cinco vezes superior ao da população em idade ativa. A conclusão liga-se também à reavaliação das estimativas de população apresentada pelo Instituto Nacional de Estatística.
" Pela primeira vez em muitos anos, a população à idade ativa aumentou um pouco. Esta é que é a questão, porque sabemos agora que os dados que tínhamos antes não eram os reais e apontavam para um decréscimo da população em idade ativa", explica Luísa Loura.
A região Centro apresenta o menor rácio do país, com 2,24 pessoas em idade ativa por cada idoso, seguida pelo Alentejo, com 2,38 ativos por idoso e que, de acordo com PORDATA, já começou a perder população ativa com uma quebra de 0,4% face a 2024.
Portugal é o terceiro país mais envelhecido da União Europeia, com 182 idosos por cada 100 jovens." Estamos a melhorar. Antes destes dados, éramos o segundo e estávamos colados com a Itália. E, se nada se fizesse, estaríamos em primeiro agora. As projeções apontavam para sermos o país mais envelhecido em 2025", explica Luísa Loura.
Itália está no topo dos países com maior envelhecimento, com 208 idosos por cada 100 jovens. No extremo oposto está a Irlanda, com 85 idosos por cada 100 jovens.