A 'Messidependência', o papel de Bellingham e alguns cenários: o que esperar do Inglaterra-Argentina
- 15/07/2026 06:39
- Redação
Bobby Charlton, Geoff Hurst, Antonio Rattín. O génio e o malandro Diego Armando Maradona. Um intempestivo David Beckham, um jovem e irreverente Michael Owen, um heróico Carlos Roa, que abandonou as balizas para se preparar para o apocalipse, a redenção japonesa do Spice Boy, também conhecido como Beckham.
Os cinco confrontos anteriores entre Inglaterra e Argentina em Campeonatos do Mundo tiveram mais história do que muitas finais juntas. Este sexto duelo será o encontro mais transcendental, pois irá levar uma destas seleções ao jogo decisivo.
Há um peso adicional, o da história e da geopolítica, da guerra travada pelos dois países em busca do controlo do território das Ilhas Malvinas, conhecidas como Falklands pelos ingleses. Estávamos em 1982 e aí a vitória foi dos britânicos, que ainda hoje mantêm controlo sobre aquele(s) pedaço(s) de terra – apesar das múltiplas reclamações de líderes políticos argentinos ao longo dos anos.Já segue a Bola Branca no WhatsApp? É só clicar aqui
A carga do jogo é tremenda, desde logo em termos emocionais e nesse sentido a Argentina tem demonstrado uma invulgar capacidade de superação nos cenários mais duros. Parece que o objetivo da 'albiceleste' neste Mundial passa por estar em desvantagem ou igualdade nos jogos para depois aproveitar o impacto da urgência ofensiva e criar situações de finalização.
Marcar cedo parece castigo para esta turma: frente a Cabo Verde e Suíça, por exemplo, faturaram na meia hora inicial, baixaram em campo e permitiram excelentes reações nos inícios de segunda parte a adversários empertigados.
Lionel Scaloni confia tudo aos jogadores que o levaram ao sucesso e apenas pontualmente tem apostado em alternativas para dar algo de diferente à equipa (como Thiago Almada frente aos suíços ou Lautaro Martínez nas últimas duas partidas).
O momento galvanizador de Julián Álvarez no prolongamento dos quartos de final pode ser importante para um dos jogadores mais decisivos da geração campeã do mundo, numa equipa que tem acusado a dependência excessiva de Messi para gerar soluções de último passe e remate.
Apostar mais em Thiago Almada ou Nico Paz para melhorar a circulação e a qualidade na definição e ganhar outra ousadia a partir das alas para explorar situações de transição ofensiva (com Nico González ou Simeone) podem ser possibilidades para uma seleção que, exceção feita a Lisandro Martínez, também tem estado longe de ser imaculada a defender.
Do outro lado, chega uma Inglaterra com melhor aproveitamento de plantel e outra resposta física, juntando as ótimas performances de várias individualidades (Bellingham, Kane ou Anderson) e igual nível na reação a cenários adversos – estiveram a perder nas eliminatórias face a RD Congo e Noruega e aguentaram mais de meia-hora com menos um frente ao anfitrião México.
A equipa de Thomas Tuchel precisa ainda de ajustes na composição inicial (o rendimento de Madueke, por exemplo, já pede troca com Saka), mas o técnico alemão tem mostrado boa leitura para mexer com os jogos a partir do banco – não lhe dá, ainda assim, carta livre para criticar os jogadores como fez no final do duelo dos quartos.
Além disso, o papel dado a Bellingham, chegando muito mais à área e definindo lances de toda a forma e feitio, tem-se revelado absolutamente determinante, aproveitando as boas ligações a partir da esquerda (com O’Reilly, Anderson e Gordon em destaque).
Essa poderá ser uma chave para ultrapassar a Argentina, que tem tido alguma dificuldade em proteger-se com o bloco mais recuado e consentido alguns golos a partir de iniciativas dos oponentes pelo flanco direito da campeã mundial. O jogo pode vir a não ser o mais bonito, mas com Messi, Julián Álvarez, Bellingham, Gordon ou Kane em campo a expectativa é que não venham a faltar grandes momentos ofensivos.