Presidente de Moçambique sobre terrorismo em Cabo Delgado: “Estamos a viver um momento relativamente melhor”

Presidente de Moçambique sobre terrorismo em Cabo Delgado: “Estamos a viver um momento relativamente melhor”

  • 15/07/2026 06:52
  • Redação

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, garantiu esta quarta-feira, perante o homólogo português António José Seguro, que a região de Cabo delgado vive, agora, um “momento relativamente melhor”, salientando mesmo que foram retomados os projetos internacionais de exploração de gás e minérios que tinham sido suspensos.

“O gás do Rovuma com o projeto da Total foi retomado. Temos tido alguns ataques esporádicos, ao nível de algumas aldeias das populações ao nível de Cabo Delgado, isto provoca, sem mais dúvidas, alguma deslocação da população, mas temos tido assistência e apoio de várias organizações internacionais”, salientou Chapo no fórum EurAfrican, a decorrer em Carcavelos, referindo-se à bacia do Rovuma, uma das maiores reservas mundiais de gás, onde estão localizados três grandes projetos de exploração de gás natural liquefeito.

Daniel Chapo está em Portugal para uma visita oficial de quatro dias e agradeceu a Portugal por ser um “ator extremamente importante” no apoio contra o terrorismo naquela região do extremo Norte de Moçambique e onde existem recursos naturais, principalmente o gás e hidrocarbonetos em abundância.

“Moçambique é um país vasto, tem cerca de aproximadamente 2.700 kms de costa e Cabo Delgado fica a 3.000 km da cidade de Maputo, que é a nossa capital. Então, mesmo o terrorismo não está em toda a província de Cabo Delgado, está apenas nalguns distritos da zona Norte, onde estão os projetos, mas neste momento a situação, portanto, é melhor”, justificou o presidente moçambicano.

Na réplica, António José Seguro referiu a excelência das relações entre Portugal e Moçambique, dando ainda a garantia: “Estamos a falar de dois Estados soberanos, dois Estados amigos e o Sr. Presidente Daniel Chapo sabe verdadeiramente que pode sempre contar com Portugal no apoio que for necessário, designadamente na necessidade de se manter as condições de segurança em Cabo Delgado, não apenas exclusivamente nas zonas mais críticas, e porventura aquelas mais apetecíveis, mas também em toda a região, dentro, volto a referir, no respeito pela soberania do Estado moçambicano e na superior orientação do Presidente Daniel Chapo."

Numa autêntica operação de charme, Daniel Chapo surge em Portugal para registar a “estabilidade” política, económica e social que diz viver-se em Moçambique. “Há esta previsão de crescimento do nosso PIB em 3% nos próximos anos”, salientou o presidente moçambicano fazendo um apelo ao investimento português no seu país.

“Estamos num momento certo, há uma coincidência, feliz coincidência entre os novos ciclos de governação, portanto, em Moçambique e Portugal, e nós achamos que esta feliz coincidência dos novos ciclos de governação”, salientou Chapo, acrescentando: “Queremos mais investimentos em Moçambique, queremos também que haja mais empresários moçambicanos a investirem, mais portugueses a virem para Moçambique”.

Com uma plateia recheada de empresários e diplomatas no auditório da Nova SBE de Carcavelos, Seguro deu conforto a estes apelos de Chapo, registando a atual estabilidade política de Moçambique um ano depois da violência pós-eleitoral que se viveu nas ruas da capital Maputo.

“Estamos num momento excelente das relações entre Moçambique e Angola, e por isso, para os empresários portugueses que queiram fazer parcerias, que queiram investir, naturalmente, que isso é relevante porque gera a confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante”, disse o Presidente português realçando a “liderança” de Chapo.

Aliás, o Presidente de Moçambique salientou que o país vive, neste momento, um período de reconciliação nacional, após o abalo provocado pelas eleições do ano passado. “Estamos, neste momento, a levar a cabo o diálogo nacional inclusivo, em que participam todos os partidos políticos, a sociedade civil, as ONGs, portanto, todos os estratos sociais em todo o país, para encontrarmos caminhos, mesmo que haja necessidade de fazer alguma alteração em termos legislativos, estamos à disposição de o fazer, porque o mais importante é que haja estabilidade política, econômica, paz e a democracia faz parte deste processo todo”, salientou Chapo.

Seguro salientou os 13 mil moçambicanos que residem em Portugal, aconselhando a que a relação entre ambos os países seja gerida com “inteligência e sensibilidade” para obter “resultados”.

Com o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, presente na primeira fila e que, durante 10 anos, participou neste mesmo fórum e com uma relação próxima com Moçambique, Seguro fez questão de dizer que Portugal e Moçambique não podem “manter as relações apenas por serem históricas, porque isso perde-se com as novas gerações”.

Na opinião do chefe de Estado português é preciso que as novas gerações de políticos entre os dois países se conheçam, justificando que isso “gera confiança”, até para as respetivas relações económicas.

Chapo foi ao encontro dessa ideia, referindo as “relações de amizade históricas” entre os dois países, agradecendo mesmo a Marcelo Rebelo de Sousa – “esteve sempre connosco” – e que o “foco” agora “tem de ser as relações económicas”, insistindo que este “é o momento certo para nos posicionarmos” e concentrar atenções na cooperação económica e comercial.

Os dois chefes de Estado voltam a encontrar-se na tarde desta quarta-feira para um encontro entre as respetivas comitivas no Palácio de Belém, antes da audiência de Seguro ao presidente do Chega, André Ventura. O Presidente da República português saiu do EurAfrican, em Carcavelos, sem prestar declarações aos jornalistas.

  • Fonte: Rádio Renascença
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