PJ ajuda a desmantelar rede que desviou 140 milhões de euros em burlas informáticas
- 15/07/2026 08:39
- Redação
A Polícia Judiciária (PJ) participou numa operação internacional que levou ao desmantelamento de uma organização criminosa suspeita de desviar cerca de 140 milhões de euros através de burlas informáticas, falsas plataformas de investimento, esquemas "man-in-the-middle" e emissão de faturas falsas.
Em comunicado enviado às redações, a PJ adianta que quatro pessoas foram detidas em Portugal, Espanha e Panamá, tendo ficado sujeitas a prisão preventiva por suspeitas da prática de crimes de burla informática e branqueamento de capitais.
Em Portugal, o alegado cabecilha da organização e outro suspeito foram detidos em Vila Nova de Gaia e no Porto, no âmbito de mandados de busca e detenção emitidos pelas autoridades judiciais espanholas. A operação foi executada pela Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, com a participação da Polícia Nacional de Espanha e da Europol.
Segundo a polícia de investigação criminal, a operação permitiu às autoridades espanholas "desmantelar, com sucesso, dois centros operacionais estratégicos", deter os respetivos responsáveis e apreender mais de 170 telemóveis e 15 computadores utilizados para realizar milhares de transferências bancárias.
As autoridades indicam ainda que apreenderam três milhões de euros obtidos de forma fraudulenta, montante que poderá agora ser restituído às vítimas.
A investigação concluiu que o grupo criminoso abriu cerca de 800 contas bancárias e 120 contas empresariais, utilizadas para receber e movimentar dinheiro proveniente de burlas informáticas.
Segundo a nota da Polícia Judiciária, os suspeitos "criaram e geriram uma rede de mais de 800 contas bancárias, utilizadas para receber avultadas quantias obtidas de forma ilícita", dispersando depois os fundos por outras contas para ocultar a sua origem e facilitar a transferência para o estrangeiro.
A investigação identificou um fluxo financeiro superior a 94 milhões de euros, ao qual se juntam 61 milhões de euros desviados em 2024 através de uma fraude do tipo "CEO".
Para o branqueamento de capitais, a organização contou ainda com a colaboração de 67 "money mules", distribuídos por vários países europeus.
A PJ sublinha que a operação permitiu "desmantelar a rede de branqueamento da organização criminosa, abrangendo tanto as suas operações nacionais quanto as suas ramificações internacionais, nomeadamente em Portugal".