PSD e CDS tentaram impedir, mas Parlamento marca debate de urgência sobre exames nacionais para sexta-feira
- 15/07/2026 08:08
- Redação
A conferência de líderes agendou para a próxima sexta-feira o debate de urgência pedido pelo PCP sobre os exames nacionais, apesar de o PSD, do CDS e do Presidente da Assembleia da República terem tentado impedir essa discussão, no dia a seguir ao debate do Estado da Nação.
A líder parlamentar comunista, Paula Santos, referiu que, na reunião da Conferência de Líderes, realizada esta manhã, a decisão não foi consensual e acusou PSD, CDS e PAR de tentarem travar o escrutínio.
"É de referir que o Presidente da Assembleia da República, o PSD e o CDS tinham um entendimento diferente. Aliás, na sua opinião, consideravam que este debate não se devia realizar e queriam impedir o escrutínio por parte da Assembleia da República em relação àquelas que têm sido as opções políticas e a atuação do Governo relativamente a estas matérias", disse Paula Santos.
O PCP já tinha exigido a presença do ministro na Comissão de Educação e como isso não aconteceu até ao debate do Estado da Nação, avançou com o debate de urgência e quer ver Fernando Alexandre sentado na bancada do Governo.
"O Ministro da Educação tem que vir à Assembleia da República na próxima sexta-feira, de facto, prestar os esclarecimentos relativamente a um processo que está a ser caótico, que está a ter um impacto extremamente negativo na vida de muitos e muitos estudantes no nosso país, que estão a concluir o 12º ano e que a preparar as suas candidaturas para o ensino superior" disse.
A líder parlamentar do PCP defendeu ainda que o Executivo deve garantir que nenhum estudante será prejudicado pelos atrasos e constrangimentos registados no processo de avaliação externa.
"É fundamental que, neste processo — e foi sobretudo por isso que requeremos este debate —, há inúmeras questões que têm de ser esclarecidas. Mas o Governo e o ministro têm de assegurar que nenhum estudante é prejudicado por um problema que não é da sua responsabilidade, mas sim da responsabilidade do ministro e do Governo", pediu a líder parlamentar do PCP.
O Chega, o Livre, a Iniciativa Liberal e o Bloco de Esquerda congratularam-se com a marcação deste debate de urgência para que o Governo preste esclarecimentos sobre o processo de correção dos exames nacionais.
O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, criticou ainda o primeiro-ministro que, na noite de terça-feira, num encontro com militantes do PSD, acusou alguns professores de estarem "a perturbar o processo" por terem resistência à mudança, pedindo a Luís Montenegro que apresente um pedido de desculpas.
"É inaceitável que Luís Montenegro, em vez de apontar ao ministro e às decisões erradas, venha culpar os professores, acusando-os de provocar alarmismo e de estarem contra um processo de digitalização e de modernização. Se hoje há, tomando por boas as palavras do ministro, o que é difícil, 99% das provas corrigidas, é porque os professores classificadores fizeram das tripas coração. O senhor primeiro-ministro devia pedir desculpa aos professores e aos agentes e militares da GNR que andam de norte a sul do país a transportar os papéis para Mem Martins", afirmou o deputado do Bloco de Esquerda.