Ministro Luís Neves divulga lista de 108 faturas da casa de Odemira

Ministro Luís Neves divulga lista de 108 faturas da casa de Odemira

  • 15/07/2026 13:08
  • Redação

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, entregou esta quarta-feira ao jornal Observador uma lista de 108 faturas relacionadas com as obras da casa em São Teotónio, Odemira.

O conjunto de faturas está em nome da empresa unipessoal da mulher do ministro, a Alcampos Unipessoal Lda.

A Construbarcelos, empresa de João Carvalho, amigo de Luís Neves que também fez obras para a Polícia Judiciária (PJ), é a que tem o valor mais alto faturado: cobrou 5 mil euros através da emissão de duas faturas.

Outras empresas no top de faturação estão a M. Rodrigues & Filhos, Limitada, com sede em Barcelos, com três faturas de 4.037,20 euros; a Matonio Materiais Construção S. Teotónio Lda, com 47 faturas de 4.143,19 euros; e a Os Gregos — Transportes e Móveis, Lda, com um total de 4.521,84 euros.

Os comprovativos de pagamento ainda não foram apresentados pelo ministro da Administração Interna.

A ministra da Justiça não tem conhecimento de qualquer investigação a Luís Neves, por causa das obras numa casa em Odemira.

Questionada sobre esta polémica, Rita Judice diz que há limites e que ninguém pode aceitar a invasão de propriedade privada.

"Como é que alguém pode aceitar sem indignação que a sua vida, a sua casa, sem qualquer autorização, seja invadida, seja por quem for. O direito à informação é importante, o trabalho jornalístico é importante, mas há limites que têm que ser respeitados", afirmou a ministra da Justiça, à RTP.

Na última sexta-feira, o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves era diretor nacional.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado hoje pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Luís Neves esclareceu, no entanto, que todas as adjudicações resultaram de procedimentos de contratação pública e salientou que, durante mais de 70% do período em que a empresa trabalhou para-a PJ, ainda não conhecia o empreiteiro.

O governante acrescentou que os contratos celebrados depois de estabelecer uma relação de proximidade com o empresário – que conheceu durante a inauguração de uma obra – "decorreram de um segundo contrato".

Relativamente à remodelação do imóvel particular, Luís Neves disse que começou por pedir uma opinião técnica ao amigo e acabou por contratá-lo para executar os trabalhos.

Afirmando estar de consciência tranquila, o governante garantiu não existir qualquer favorecimento no preço da empreitada e afirmou estar disponível para apresentar as faturas, registadas no e-faturas e declaradas à Autoridade Tributária, justificando que ainda não o fez por falta de oportunidade.

As obras abrangem, segundo explicou, "uma parede, uma casa de banho e um alpendre" onde foi instalado um tanque, devendo representar um custo entre "os 20 mil ou 30 mil euros", a liquidar após a conclusão dos trabalhos.

Questionado se se arrepende da contratação, Luís Neves respondeu: "Sabendo o que sei hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade".

  • Fonte: Rádio Renascença
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