Da Saúde à Imigração: os números que Montenegro vai ter de explicar no Estado da Nação
- 15/07/2026 15:05
- Redação
A Direção-Geral da Saúde (DGS) tinha prometido que não aconteceria um "aumento muito significativo" da mortalidade associada à onda de calor, mas a verdade é que os números mostram mais 540 óbitos que o esperado para esta altura do ano, precisamente na semana em que Portugal atravessou uma onda de calor.
Nesse período foram registadas 2.460 mortes, das quais 540 estão acima da média esperada para esta altura do ano.
Segunda e terça-feira foram os dias 6 e 7 de julho com mais mortes desde que há registo, pelo menos desde 2014. Desde o dia 9 de julho, com o fim da onda de calor, a mortalidade estabilizou e os últimos dias já não foram de excesso de mortes.
Há também dados alarmantes nos hospitais. No primeiro trimestre de 2026 foram realizadas menos cirurgias e menos consultas que no mesmo período do ano passado, uma quebra que não acontecia face a período homólogo desde a pandemia — altura em que, naturalmente, eram realizadas menos consultas e cirurgias.
Já o número de primeiras consultas é também menor em relação aos primeiros três meses do ano passado, em cerca de 24 mil.
Segundo os dados, mais de metade das primeiras consultas acontecem já depois do Tempo Máximo de Resposta Garantido (TMRG) para cada caso: 150 dias em caso de prioridade normal, de 60 dias para casos prioritários ou 30 dias em casos muito prioritários.
Em cirurgias, uma em cada três cirurgias acontecem depois do Tempo Máximo de Resposta Garantido — 30 dias para cirurgias prioritárias e 180 dias para as normais.
Depois de três anos de excedente orçamental, Portugal teve o seu primeiro susto de uma possível recessão que tanto tem sido antecipada pela União Europeia: no primeiro trimestre do ano foi registado um défice de 0,7% do PIB.
O défice junta-se a um último trimestre do ano que já tinha sido de 3% de défice, para a primeira vez desde 2022 que foram registados dois meses consecutivos no vermelho.
Desde o início do ano já foram registados 49 dias em que a riqueza gerada foi inferior em comparação com o mesmo dia do ano anterior. Para comparação, no ano passado inteiro, foram 63 dias neste cenário. E, desde o início do segundo trimestre, um em cada três dias tiveram atividade abaixo do ano passado.
No Parlamento no dia 1 de julho, o ministro e o secretário de Estado Adjunto e da Presidência e Imigração admitiram que continuam por resolver "cerca de 30 mil casos".
E, apesar da redução de casos pendentes na AIMA, há cada vez mais processos pendentes nos tribunais para atribuição de nacionalidade.
Tem sido um dos grandes temas das últimas semanas. A digitalização da correção de exames nacionais de 1ª fase levou a demoras no processo, com a publicação das notas a ter sido adiada para esta sexta-feira, dia 17 de julho.
Os professores acusam o Ministério da Educação de ter lançado a correção digital dos exames de forma mal preparada, com falhas técnicas que comprometem o rigor da avaliação.
Com as novas regras, basta um atraso de dois meses para que o contrato de arrendamento possa ser terminado, quando o atraso até agora era de três meses, no máximo.
Ao mesmo tempo, o Governo retira o travão do controlo das rendas e a percentagem máxima de 2% para a subida anual das rendas. Assim, os valores passam a poder ser livremente acordados entre senhorio e inquilino.
E tudo isto acontece depois de no ano passado, a percentagem de despejos ter disparado 44%, em relação ao ano anterior.