“No geral, está tudo uma porcaria." Manicure, professora e enfermeira avaliam o Estado da Nação
- 16/07/2026 02:00
- Redação
Para Andreia Silva, é difícil traçar um diagnóstico da atual situação do país: “No geral, está tudo uma confusão. Preocupa-me não saber o dia de amanhã. Está tudo tão caro. Está tudo tão mal que acho que acaba por ser uma bola de neve...”
Como empresária e mãe de duas filhas – de um e dois anos –, as preocupações de >Andreia dividem-se, mas a maternidade fala mais alto. Desde logo, pela dificuldade em encontrar vagas nas creches.
"Consegui [vagas na creche] porque foi por cunha, pois, caso contrário, continuaria à espera. Muitas amigas minhas estão em lista de espera e foram obrigadas a ficar em casa”, relata Andreia, para quem é "um absurdo” que os pais “estejam apenas quatro meses com os filhos em casa”.
“Trabalho por conta própria e tive de começar a trabalhar três semanas após o nascimento das minhas filhas”, recorda a jovem mãe, que diz sentir-se “abandonada e sozinha”.
O negócio, um salão de manicure, está de portas abertas há sete anos, mas Andreia reconhece que é “cada vez mais difícil ser empresária”.
Mary Tavares é professora de inglês. Optou pelo ensino privado após um ano de experiência na escola pública. Defende, com urgência, a revisão do ensino, que diz ser “conservador” no nosso país, e do sistema de colocação de professores.
“Os concursos não são realizados de forma justa”, começa por atirar a docente. Depois, lembra “as condições dos professores", que "têm muito trabalho, uma sobrecarga de tarefas, entre a preparação das aulas, a correção dos testes, os trabalhos de casa, os testes, os mini-testes".
"Não há ajuda disponível”, critica, lembrando que “em muitas escolas pública, há muitos alunos para um só professor”.
“Não existe um sistema de ensino de qualidade que funcione desta forma”, remata.
Em Portugal, há quatro anos, Eleine Bessa é enfermeira num hospital público e concilia um segundo trabalho num laboratório de análises clínicas, no centro de Vila Nova de Gaia.
É neste segundo local de trabalho, onde compõe o rendimento mensal, que a encontramos. “Existe uma oferta de emprego, mas é muito desvalorizada. As pessoas querem atribuir mais responsabilidades e não querem valorizar. Não pode ser. É preciso investir nisso”, defende.
“O Governo precisa de parar para pensar, fazer um esforço de consciencialização e refletir sobre o valor dos profissionais de saúde que estão muito distantes da sociedade”, queixa-se Eleine Bessa, que gostaria de ver a saúde como um dos temas no debate, esta quinta-feira, sobre o Estado da Nação.