"Caos nos exames" deve marcar debate sobre o Estado da Nação. O que querem os partidos debater?
- 16/07/2026 02:00
- Redação
É o dia de fazer balanços e pensar o país. Esta quinta-feira, há debate sobre o Estado da Nação em jeito de balanço do último ano – só que nunca consegue ser imune à atualidade.
Em plena semana de incidentes na correção dos exames nacionais, o Estado da Nação não vai contornar esse problema, mas há outros problemas estruturais que vão marcar o debate.
O PSD é o único partido que assumidamente prefere não responder à pergunta. Por uma questão de estratégia, a bancada social-democrata lembra que "o segredo é a alma do negócio" e que, por isso, prefere não antecipar os temas que vai levar para o debate.
À bancada liderada por Hugo Soares cabe a defesa do Governo e salientar o que correu bem, em contraste com o que farão todas as outras.
Os liberais contradizem o primeiro-ministro: "Luís Montenegro diz que Portugal está melhor. Mas o barómetro divulgado há uma semana diz outra coisa", e para comprová-lo vão abordar temas como a subida generalizada dos preços que pesa no bolso dos portugueses.
Na área da Saúde, a Iniciativa Liberal acusa o Governo de deixar os cidadãos "desamparados" ao não resolver a questão do encerramentos dos serviços de urgência e as "listas de espera que não encolhem".
Os liberais vão levantar ainda a questão das pensões mais baixas ao criticar os "suplementos pontuais" anunciados pelo Governo que, dizem, "não substituem a reforma que permita construir uma almofada própria, sem depender inteiramente da geração seguinte".
O último grande pilar é o mais atual: os problemas na correção dos exames nacionais provocados pelo processo de digitalização. A IL considera que a reforma era "necessária, mas foi mal planeada e pessimamente executada" e lamentam que o resultado seja deixar "milhares de alunos e famílias com a vida em suspenso".
O partido refere apenas que vai tocar em "temas da atualidade e de grande importância para o país, como educação, saúde e habitação".
O PCP não se desvia dos seus temas mais acarinhados, mas não vai deixar de abordar o que classificam como o "caos nos exames nacionais".
Os comunistas vão também tocar no aumento do custo de vida, na "degradação dos serviços públicos" - que consideram que se manifesta no "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde" e na "desvalorização da escola pública".
O PCP vai ainda abordar as "crescentes dificuldades no acesso à habitação" e criticar as privatizações iniciadas pelo Governo da AD.
No Parlamento, o deputado único Fabian Figueiredo vai ainda atacar o Governo pelas mais recentes propostas para a habitação. O Bloco de Esquerda fala numa "proposta para criar uma pandemia de despejos" e vai ainda abordar o "aumento do custo de vida".
O Juntos Pelo Povo não vai fugir a uma das suas principais bandeiras, as Regiões Autónomas. O deputado único, Filipe Sousa, madeirense, assegura que o Estado da Nação não se mede pela "propaganda do Governo", mas pela "vida real das pessoas".
Filipe Sousa vai ainda perguntar se o Governo "tem coragem para enfrentar os grandes interesses", referindo-se à EDP e à REN. O deputado do JPP desafia o primeiro-ministro a rever os contratos e as concessões no setor energético.
Pelo PAN, os temas da atualidade não vão faltar: dos exames nacionais ao custo de vida, passando pelo acesso à habitação.
O PAN vai também tocar no que considera ser a "falta de prevenção e combate às alterações climáticas" e nos "recuos em matéria de proteção animal".
Inês Sousa Real promete ainda falar da "escassez de água" no concelho de Almada - tema que escalou de local para nacional.