Estado da Nação? "Complexo" e "não muito positivo"

Estado da Nação? "Complexo" e "não muito positivo"

  • 16/07/2026 01:40
  • Redação

O socialista Fernando Medina, antigo ministro das Finanças, considera o estado da nação "complexo" devido aos "sinais de abrandamento da economia, de maiores dificuldades nas finanças públicas e da incapacidade que o Governo tem mostrado ao impor a sua agenda". Do lado do PSD, Miguel Poiares Maduro conclui que o diagnóstico "não é muito positivo".

O antigo ministro das Finanças destaca, ainda, o impasse a nível político com atores que não pretendem uma crise política. "Vivemos um certo estado de apatia em que parece que não há solução. Nem o Governo governa bem, nem o primeiro-ministro tem mostrado um novo impulso de liderança do país, nem a oposição é hoje uma alternativa para assumir as responsabilidades de governação", esclareceu.

Fernando Medina entende que, no debate desta quinta-feira sobre o Estado da Nação, é "fundamental" que a discussão se centre nos temas que são a preocupação central dos portugueses, como a evolução do custo de vida, a subida dos preços e da habitação e o aumento das dificuldades no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O antigo governante do PS destaca que também a Educação deve ser inevitavelmente tema no debate deste ano, após as falhas registadas na correção dos exames. "É mais um caso em que o Estado está a falhar na resposta aos cidadãos", sublinha.

Já Miguel Poiares Maduro, antigo ministro do PSD, é afirmativo: "O Estado da Nação não é o estado do Governo. É mais amplo".

O social-democrata aponta problemas estruturais e conjunturais no país que devem ser prioritários, como a habitação e a saúde, mas também o facto de os rendimentos em Portugal não estarem a acompanhar o custo de vida.

"O custo de vida tem crescido de forma mais acelerada que os rendimentos, apesar de eles terem vindo a crescer, a nossa economia continua a não conseguir gerar rendimentos suficientes para a qualidade de vida que os portugueses deviam ter", sublinha.

Miguel Poiares Maduro destaca, ainda, que há uma estagnação aparente da economia e faz, por isso, um diagnóstico "não muito positivo" do estado económico e social.

A visão pouco positiva do social-democrata estende-se ao campo político. Poiares Maduro fala numa "profunda polarização e fragmentação do país" que torna difícil que se atinjam os compromissos necessários que essa mesma fragmentação exige além de dificultar qualquer tentativa de clarificação política. "Nós vivemos uma instabilidade estável", defende.

Poiares Maduro sustenta que é pouco provável que o Governo "caia", ao mesmo tempo que a conjuntura política continua a ter "ruído", instabilidade permanente – o que dificulta, na análise feita por Poiares Maduro, os compromissos.

O antigo ministro do PSD sublinha que, no lugar do primeiro-ministro, tentaria levar o debate da conjuntura para a dimensão estrutural. Poiares Maduro considera que o país tem debatido pouco a alteração tecnológica e a inteligência artificial que vai reorganizar a economia. "A questão é saber se nós, como país, vamos utilizar essa revolução para tentar saltar várias gerações e utilizá-la como uma oportunidade antes dos outros, ou se isso vai acentuar a mediocridade da nossa economia", considera.

O antigo ministro do PS considera que Luís Montenegro deve fazer um reposicionamento da "estratégia falhada" de "alinhamento e de encosto" ao Chega. "Creio que já passaram dois anos e os resultados das sondagens são claros de que esta estratégia falhou", defendeu.

Fernando Medina adianta que, no lugar de Montenegro, faria um refrescamento da equipa para realinhar as prioridades como o custo de vida, o custo da habitação, o funcionamento do Serviço Nacional de Saúde e – agora – o funcionamento do Ministério da Educação depois do episódio dos exames.

O socialista entende que "há ministros que já estão mortos politicamente" e que o primeiro-ministro teima em manter. "Uns por teimosia, outros pela força muito grande dos lobbies dos setores para que as pessoas se mantenham em funções", diz.

Fernando Medina sugere que as mudanças aconteçam na pasta da Saúde, no Trabalho e na Educação.

Já Miguel Poiares Maduro realça que há muito anos que o balanço do país não é muito positivo e não coloca culpa no atual Governo. "A nossa economia está em estagnação há mais de 25 anos. Ora, isso não é bom e também não é atribuível apenas a este Governo", defende, acrescentando que o atual executivo também "ainda não conseguiu superar" esse problema.

Poiares Maduro avisa que nem os problemas na Saúde, nem os da Habitação se resolvem de "um momento para o outro". E recorda que já criticou o primeiro-ministro, por Luís Montenegro ter criado expectativa de resolver os problemas num curto prazo.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: