Apesar de...
- 16/07/2026 03:42
- Redação
Apesar de o Sr. Trump governar os Estados Unidos da América, parece que ainda nos vamos safando...
Pois, assim é. Cá vamos, alguns cantarolando, alguns sorrindo. Mas não “cantando e rindo”. Não só por que isso teria conotações políticas com o regime salazarista, mas, principalmente, porque a evolução da economia do país não o permite. Não, não choramos. Mas não rimos... sorrimos. Não, não carpimos. Mas não cantamos... cantarolamos.
Assim parece ser com quase todos os indicadores.... Claro que ainda temos de esperar que saiam os indicadores oficiais do segundo trimestre, mas os indicadores avançados, aqueles que nos permitem ir tomando a temperatura da água sem termos de mergulhar de cabeça para sabermos como reagem todas as partes do nosso corpo à supradita, vão, na sua generalidade, nesse sentido.
O PIB estará a crescer, mas provavelmente menos do que no ano anterior... O ano parecia bom, não fosse o Sr. Trump a governar os EUA. É que ele tem mesmo muito poder como todos sabemos quando vemos a conta da energia por causa dos combustíveis, da comida por causa dos fertilizantes, e depois por causa de toda a cadeia de custos de bens e serviços que acabam por ser influenciados não só pelos preços das matérias-primas, mas pelos custos do dinheiro e pelas taxas de câmbio! Um inferno! E para agravar tudo é a sua inconstância e imprevisibilidade!
Se a natureza nos trazia imprevisibilidade, se a dinâmica social e política lhe acrescentava a inevitável instabilidade das moles humanas, em cima de tudo temos um agente que é muito mais imprevisível do que um magote de humanos de qualquer sociedade. Para o comportamento das multidões nós, economistas, temos as leis económicas que governam o homo economicus, ou até as suas exceções. Mas para um agente individual como um senhor Trump com o poder que tem, não há leis. Se querem uma usem a da lotaria, a do dado ou das cartas. (Está na hora das quiromantes serem boas economistas...)
Se olharmos para os dados do turismo, eles crescem. Em dormidas, em hóspedes e até em receita total. Mas não tanto como em 2025. O mesmo sucede com os indicadores de confiança dos consumidores dos industriais ou nos serviços. As encomendas do mundo empresarial têm crescido, mas menos que em 2025.
O consumo de eletricidade parece resiliente, as vendas de automóveis parece estarem a subir e o desemprego continua em níveis baixos apesar das nuvens negras que pairam sobre o emprego dos mais jovens e recém-licenciados ou mesmo sobre algumas indústrias como a automóvel e a sua cadeia de valor, o crédito às empresas parece estar estável e o crédito às famílias para habitação parece subir, como o seu próprio licenciamento.
Tudo isto parece dar ideia de que a economia portuguesa se está a aguentar apesar de termos passado pelas tempestades, apesar dos atrasos do PRR, apesar do cheirinho de inflação que o Sr. Trump não desiste de alimentar, e apesar das ameaças de mais subidas nas taxas de juro, ambos com efeitos recessivos na economia.