Ministro da Educação diz que "há risco" de as notas não serem publicadas na sexta-feira

Ministro da Educação diz que "há risco" de as notas não serem publicadas na sexta-feira

  • 16/07/2026 05:32
  • Redação

O ministro da Educação lançou esta quinta-feira um apelo aos professores classificadores, alertando que a falta de docentes disponíveis está a impedir a conclusão da correção de algumas provas dos exames nacionais, colocando em risco a divulgação das classificações prevista para sexta-feira.

Nestas declarações aos jornalistas, no Centro de Congressos de Lisboa, Fernando Alexandre garantiu que "do ponto de vista tecnológico, está tudo preparado" para publicar as classificações, mas explicou que o processo depende ainda da conclusão da correção de algumas provas. Segundo o governante, o Júri Nacional de Exames tem dificuldade em encontrar docentes disponíveis, sobretudo nas disciplinas de Português e Matemática.

A prova de Português, explicou, foi a mais afetada pelos problemas registados no início do processo, por ter sido a primeira a ser distribuída e aquela em que foram detetados mais erros, obrigando a sucessivas validações e até à redistribuição de provas.

Ainda assim, o ministro sublinhou que 99,3% das respostas já estão corrigidas e, por isso, pediu um último esforço aos docentes. "Aquilo que eu venho aqui dizer é que nós precisamos que os professores classificadores continuem disponíveis para fecharmos", afirmou.

Para ilustrar a dimensão do problema, Fernando Alexandre revelou que, na prova de Física e Química A, apenas faltam 373 respostas por corrigir, depois de já terem sido classificadas cerca de 30 mil.

"É muito difícil a sociedade portuguesa, os alunos e as famílias perceberem que uma prova não vai ter resultados publicados porque há 373 respostas por corrigir, quando já foram corrigidas cerca de 30 mil", afirmou.

Também em Biologia e Geologia a situação está perto do fim: restam apenas 584 respostas por classificar. O ministro explicou que a razão é simples: "É preciso professores classificadores para corrigir estas respostas."

Apesar do apelo, Fernando Alexandre fez questão de afastar qualquer crítica aos docentes.

"Não é responsabilidade dos professores. Eu estou a pedir a colaboração dos professores", afirmou, acrescentando que o próprio tem dificuldade em compreender a falta de disponibilidade. "Conheço os professores, mas é a resposta que o Júri Nacional de Exames me dá: não estamos a conseguir fechar as provas porque não há professores classificadores disponíveis."

O governante considera que seria difícil justificar um atraso quando o processo está praticamente concluído.

"Nós estamos mesmo no fim", afirmou, sublinhando que a prioridade é resolver o problema e deixar a averiguação de responsabilidades para mais tarde. "A culpa será apurada no fim. Aquilo em que estamos concentrados agora é resolver o problema."

No final da intervenção, Fernando Alexandre voltou a dirigir-se diretamente aos professores, agradecendo o trabalho desenvolvido num processo marcado por falhas técnicas e pedindo um último esforço para cumprir os prazos.

"O apelo que deixo aqui é a todos os professores, agradecendo mais uma vez todo o esforço que fizeram, ainda por cima num contexto de perturbação, em que houve muita coisa que não correu bem, e que possam ajudar nesta fase final a resolver um problema que não é do ministro, é um problema do sistema educativo."

Questionado sobre a possibilidade de as classificações não serem divulgadas na sexta-feira, Fernando Alexandre reconheceu que esse risco existe.

"Há o risco, claro. Enquanto eu não tiver as provas todas corrigidas, claro que há riscos", afirmou, embora se tenha mostrado convicto de que a correção ficará concluída durante o dia.

Segundo explicou, o calendário mantém-se, o sistema foi testado e algumas provas já começaram a ser enviadas às escolas, faltando apenas concluir a classificação das últimas respostas.

"Há todas as condições para que hoje a correção esteja fechada", disse, insistindo que o objetivo é cumprir o calendário inicialmente previsto.

Fernando Alexandre reiterou que haverá uma auditoria para apurar responsabilidades pelos problemas registados durante a primeira fase dos exames, mas frisou que essa análise será feita apenas depois de concluído o processo.

O ministro assegurou ainda que os problemas tecnológicos foram corrigidos e garantiu que o mesmo modelo será utilizado na segunda fase dos exames.

"Na segunda fase vamos manter este formato porque todos os problemas tecnológicos foram corrigidos. Neste momento, o obstáculo que temos é a correção por parte dos professores e, por isso, peço um esforço adicional."

  • Fonte: Rádio Renascença
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