Exames nacionais. Patriarca de Lisboa pede "serenidade" a alunos e professores
- 16/07/2026 06:02
- Redação
“Serenidade” e “esperança”. O patriarca de Lisboa pede tranquilidade às famílias, alunos e professores, perante os problemas na correção digital dos exames nacionais.
D. Rui Valério diz compreender a “a preocupação, agitação das famílias e particularmente, dos estudantes”, uma vez que as provas são essenciais para definir o “futuro, vidas, projetos”, mas também desdramatiza, considerando “normal” que surjam problemas sempre que há processos de mudança.
“E é, pela primeira vez, de forma tão significativa e tão maximizada, se estão a aplicar as novas tecnologias àquilo que era uma tarefa tradicionalmente realizada à mão, com o papel”, detalha.
Por essa razão, D. Rui Valério sugere que se olhe para o tema na expectativa de, no próximo ano, o processo correr sem tribulações.
“Na certeza de que, daqui por um ano, nós já não nos vamos recordar sequer do tempo em que o senhor professor pegava na prova e lá com a sua ‘canetazinha’ vermelha o corrigia e depois nós ficávamos não sei quantas semanas à espera do resultado e depois não sei quantas semanas à espera de rever o teste para eventuais alterações."
Quanto ao reacendimento do conflito no Médio Oriente na última semana, D. Rui Valério não vê “vontade” dos Estados Unidos e do Irão em regressarem a um cessar-fogo e procurarem um fim duradouro para a guerra.
“Estão realmente interessados na paz? É a paz que eles querem? Porque honestamente não é isso que me parece”, critica. “Todo o projeto da paz começa com a vontade do homem e da mulher em serem pacíficos, em fazer paz. Não é isso que eu vejo ali no Médio Oriente."
Na leitura de D. Rui Valério, além do sofrimento que surge dos “palcos de guerra” e das “mais evoluídas armas de guerra”, o mundo ocidental corre hoje o risco de se afastar da “compreensão mútua entre todos os homens e mulheres” e abandonar as suas origens.
“Vejo um ‘deixar-se arrastar’, por vezes dá-me a sensação que de uma forma voluntária. Quando assim é, é a negação daquilo que é o timbre próprio da cultura ocidental. Nós teremos o mundo que quisermos ter”, alerta.
Sem falar diretamente na disputa pelo Estreito de Ormuz, D. Rui Valério defende que a Igreja deve ser parte ativa no debate sobre os mares e oceanos, perante o significado geopolítica que ganharam nos últimos anos.
“Os grandes conflitos entre nações serão motivados pela escassez e pela procura da água, o que significa que a água passou a ser uma realidade económica, política. Devemos olhar para ela com toda a atenção e trazer para o debate os grandes valores e as grandes referências da doutrina social da Igreja relativamente a este bem essencial”, considera.