"Crianças adormeceram e acordaram a chorar". Pais procuram solução para ginastas do Boavista
- 16/07/2026 11:37
- Redação
Em entrevista a Bola Branca, Pedro Cardoso conta que o anúncio "foi inesperado". Embora soubessem da "nuvem que pairava sobre o Boavista", acreditavam que "havia sempre uma alternativa".
Quando receberam a notícia da cessação de atividade do clube, a prioridade foi perceber como contar às crianças e jovens, que "viviam muito aquilo e passavam lá muitas horas por dia".
Ainda assim, os pais tentaram "passar uma mensagem positiva", garantir às crianças que "lá ou noutro sítio, irão continuar" a fazer ginástica: "Estamos a fazer todos os esforços para arranjar um sítio para poderem continuar a treinar."
A solução passa pela Associação de Pais, Atletas e Amigos da Ginástica (APAAG), uma associação de pais que estava já a ser criada com o intuito de auxiliar a atividade diária do clube: "O objetivo era ajudar o Boavista, era colaborar; não era substituir. Sempre ficou isso bem presente."
Agora, contudo, os pais vêem-se obrigados a acelerar o processo, de forma a garantir que os seus filhos completam a época.
"Neste momento, o nosso foco é fechar o processo de associação, para termos uma base legal e trabalharmos tudo de forma correta. A par disso, estamos em permanente [tentativa de] arranjar soluções, contactos. Temos imensos contactos para fazer com vários clubes aqui da zona, junto da freguesia, com a Câmara do Porto, para ver se arranjamos solução para o presente", explica Pedro Cardoso.
Caso não haja sinais positivos do Boavista até setembro, o objetivo é assegurar que os atletas terão onde treinar e como competir na próxima época, "da forma mais normal possível".
"Em breve, possivelmente, vamos marcar a assembleia para formalizar a criação da associação, e a partir daí é bater a todas as portas e ouvir as propostas que nos têm para fazer, para chegarmos a alguma solução pelas 400 crianças que treinam ali diariamente", sublinha.
Há dificuldades: as crianças treinam cerca de três horas por dia, todos os dias da semana exceto ao domingo. Por isso, arranjar pavilhão "às vezes não é fácil".
Em última instância, a APAAG poderá ter de se substituir ao próprio Boavista.
"Como eu disse, não era esse o propósito inicial, o objetivo foi sempre ajudar o clube. Mas se o clube não der notícias tão cedo, poderá passar por aí. Neste momento, vamos tentar arranjar soluções provisórias para os atletas continuarem a trabalhar. Se não houver novidades em setembro, poderá passar por criarmos um clube ou esta associação passar a competir com os atletas e ajudar os atletas, até que o Boavista se consiga recompor e volte a receber-nos", admite.
Como pai, Pedro Cardoso tem receio que a situação do Boavista não se resolva. Como boavisteiro, no entanto, tem esperança: "Claro que o meu pensamento é que, enquanto houver um boavisteiro, o Boavista não vai morrer, e que isto são tempos difíceis mas, em breve, com certeza, vamos conseguir dar a volta. Isto é um boavisteiro a falar."
"Contudo, tenho de ser também realista e vejo um panorama muito negro. E claro, continuamos sempre muito receosos e agora, enquanto pai, vejo isto tão negro que às vezes não consigo pensar só em coisas boas e que isto se vai reverter, por muito que eu queira", assume.
Por isso mesmo é que, "em sintonia com os restantes pais", Pedro Cardoso trabalha para arranjar um espaço onde as cerca de 400 crianças da secção de ginástica do Boavista possam "continuar a treinar e a fazer aquilo de que gostam, e a pensar nos seus sonhos".