Hugo Soares acusa Ventura de faltar a debate para estar no comentário desportivo
- 16/07/2026 12:30
- Redação
O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, acusou esta quinta-feira o presidente do Chega, André Ventura, de ter faltado a um debate, no âmbito das eleições europeias de 2019, para antes participar num programa de comentário desportivo no canal CMTV.
Minutos antes deste episódio, o presidente do Chega tinha acusado o chefe do executivo PSD/CDS de ter estado presente em três jogos da seleção nacional para o Campeonato do Mundo de Futebol, nos Estados Unidos, com o país em estado de alerta por causa dos incêndios e com uma crise por causa dos exames nacionais.
O presidente da bancada social-democrata devolveu esta acusação a propósito de questões relacionadas com idas a jogos de futebol.
"O deputado André Ventura, quando era candidato às eleições europeias em 2019, devia estar a debater na televisão pública. Mas onde é que estava o presidente do Chega? Faltou ao debate porque estava no comentário desportivo na CMTV" disse.
Depois, dirigiu-se diretamente a André Ventura para concluir: "Tenha vergonha". E deixou-lhe ainda um recado, numa alusão à situação interna no Chega: "Não tenha problema com a confiança que o primeiro-ministro tem no seu Governo. Mas, se é para comentar notícias, é bom que o senhor deputado André Ventura tenha mais cuidado com a confiança da sua bancada na sua liderança", disse.
Na sua intervenção, o líder da bancada social-democrata visou também o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, tendo então usado a ironia para comentar um baralho de cartas hoje lançado pelos socialistas, contendo quatro jogos.
"Um dos jogos é o Solitário -- e, na verdade, os socialistas estão cada vez mais sozinhos, outro é o Pares, talvez por o PS andar à procura do parceiro para continuar a bloquear a governação. Temos também o Tarot, porque o PS não tem uma ideia para o país e está a tentar encontrá-la nos astros", disse.
De acordo com Hugo Soares, o baralho dos socialistas permite também que se jogue um Quiz.
"Eles querem mesmo que o país faça um esforço para tentar descobrir uma ideia séria e sensata do PS", rematou o presidente do Grupo Parlamentar do PSD.
Em relação ao início do debate sobre o estado da nação, Hugo Soares defendeu a tese de que já teve "um ganho", porque o presidente do Chega não falou na questão da imigração em Portugal.
"E não faliu porque foi este Governo que resolveu o problema da imigração em Portugal", acrescentou.
Na mesma linha, o primeiro-ministro criticou as oposições por estarem sempre "muito ativas a seguir aquilo que é momentâneo e aquilo que são as tendências das redes sociais", linhas de comunicação sugeridas por "assessorias ou agências".
"O objetivo das oposições é terem uma tática da criação de narrativa. As oposições escolheram dizer que este Governo é insensível, que este Governo e este primeiro-ministro não têm empatia. Só que esse argumento esbarra naquilo que são as posições desses partidos e naquilo que é a ação política do Governo", advogou Luís Montenegro.
De acordo com o primeiro-ministro, um dos pontos mais significativos do debate sobre o estado da nação "é que, em muitas alturas, a Assembleia da República quer governar em nome do Governo, pela junção de vontades dos dois maiores partidos da oposição".
"O PS e o Chega, com uma sensibilidade social no mínimo discutível, ainda se preparam agora para aprovar, com um impacto superior a 300 milhões de euros, uma ajuda suplementar aos jovens portugueses que concluíram as suas licenciaturas e os seus mestrados e que ingressaram no mercado de trabalho", assinalou o líder do executivo.
Na perspetiva do primeiro-ministro, se PS e Chega aprovarem este regime complementar, cria-se "uma injustiça relativa na sociedade portuguesa".
"O mesmo acontece nas portagens, com a circunstância de todos os contribuintes estarem a pagar atualmente a isenção de todos os que passam nos troços das autoestradas gratuitos", acrescentou.