Montenegro mantém confiança no ministro Luís Neves
- 16/07/2026 13:13
- Redação
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esta quinta-feira que mantém a confiança no ministro da Administração Interna e rejeitou que Luís Neves tenha ameaçado deputados do Chega, devolvendo estas acusações ao partido de André Ventura.
"Se eu mantenho a confiança política no ministro da Administração Interna? Com certeza, senhor deputado, plenamente, plenamente. No senhor ministro da Administração Interna e em todos os ministros e secretários de Estado", afirmou.
O primeiro-ministro respondia ao líder do Chega durante o debate sobre o estado da nação, que questionou Luís Montenegro se "mantém ou não a confiança" em Luís Neves.
Luís Montenegro considerou a pergunta retórica, indicando que "o pressuposto para estar no Governo é precisamente a confiança que o primeiro-ministro deposita nos membros do seu Governo".
O líder do executivo disse também que "não é verdade que o senhor ministro da Administração Interna ameaçou quem quer que seja e intimidou quem quer que seja".
"Em matéria de ameaças e intimidações a adversários políticos, os senhores dão aulas a qualquer um. Nós não temos, nem queremos aprender com isto", acusou.
Montenegro sustentou que o ministro "não cometeu nenhuma ilegalidade", "não prejudicou o interesse público nem privilegiou o interesse público face a qualquer interesse particular".
"O senhor ministro da Administração Interna, naturalmente, democraticamente, prestará todos os esclarecimentos e será alvo do escrutínio político e democrático que devemos, de forma madura, realizar nesta Assembleia e no debate político", indicou.
Na primeira intervenção, André Ventura voltou a acusar o ministro da Administração Interna de "ameaçar e intimidar" partidos da oposição e jornalistas, e também de evitar responder "às perguntas que tem de responder".
"Enquanto o PSD se ri desta situação, a pergunta é: mantém ou não a confiança no seu ministro da Administração Interna para continuar a governar", disse.
No final da intervenção do primeiro-ministro, o líder do Chega voltou a pedir a palavra para solicitar a Luís Montenegro que entregasse ao Parlamento provas das alegadas as ameaças do seu partido.
Ventura perguntou ainda ao presidente da Assembleia da República porque não chamou à atenção o primeiro-ministro, depois de José Pedro Aguiar-Branco ter dito que ouviu a acusação de Montenegro.
O primeiro-ministro respondeu: "É visível e audível a olho nu e basta a consulta dos diários da Assembleia da República para perceber o conteúdo daquilo que eu quis transmitir", sem especificar ao que se referia.
Aguiar-Branco voltou a pedir contenção aos deputados no recurso à figura da interpelação à mesa, referindo que "cada deputado tem o tempo depois de intervenção para poder fazer o contraditório, para poder pedir esclarecimentos, para poder fazer aquilo que é normal no debate político".
"A figura da interpelação à mesa sobre a condição dos trabalhos não deve ser usada de forma que não é aquela para a qual está destinada, e terá um tempo para poder questionar o primeiro-ministro em relação a esta matéria", acrescentou.