Estado da Nação. Montenegro segura MAI e admite que “nem tudo correu bem” nos exames
- 16/07/2026 14:08
- Redação
Luís Montenegro foi ao Parlamento esta quinta-feira para jogar ao ataque. E não poupou críticas a quase ninguém. Então, o que disse?
Como já seria de esperar, os problemas na digitalização e na classificação dos exames nacionais do ensino secundário estiveram no centro do debate do Estado da Nação. O primeiro-ministro reconheceu perturbações no tema dos exames, mas recusou a ideia de descontrolo.
“É verdade que houve perturbação, é verdade que ainda temos de garantir a publicação das classificações até amanhã, mas nunca o processo foi tão transparente”, disse Luís Montenegro.
Montenegro defendeu também o ministro da Educação, Fernando Alexandre, garantindo que foram prestados esclarecimentos sobre os problemas detetados. Apesar disso, reconheceu que o processo não decorreu como previsto. “Nem tudo correu bem”, admitiu.
O chefe do Governo rejeitou, contudo, qualquer recuo na digitalização das provas e sustentou que o rigor da correção foi preservado.
Montenegro acusou os anteriores governos socialistas de não prepararem os serviços públicos e as infraestruturas para o aumento da população residente devido à imigração.
O chefe do Governo relacionou esse crescimento com a pressão sentida no Serviço Nacional de Saúde, na habitação e nas escolas. Segundo Montenegro, entre 2021 e 2024, a população estrangeira residente aumentou em cerca de 800 mil pessoas.
“Temos quase mais 500 mil utentes no SNS porque nos andaram a esconder o efeito que este movimento tinha tido na sociedade”, acusou Luís Montenegro.
As vonvergências parlamentares entre PS e Chega foram repetidamente usadas por Montenegro para atacar os dois maiores partidos da oposição. O primeiro-ministro acusou socialistas e Chega de tentarem substituir-se ao Executivo através de votações conjuntas na Assembleia da República.
Montenegro apontou como exemplos decisões relacionadas com o IRS, portagens, propinas, prémio salarial, pensões e IVA da eletricidade.
“Em muitas alturas, a Assembleia da República quis governar em nome do Governo pela junção de vontades dos dois maiores partidos da oposição”, acusou.
Montenegro acusou os partidos da oposição de procurarem criar uma perceção pública negativa sobre a ação do Executivo.
“José Luís Carneiro e André Ventura bem podem rivalizar na irresponsabilidade, mas seguem juntos também na velha tática socrática”, disse Montenegro.
André Ventura questionou Luís Montenegro sobre a manutenção da confiança no ministro da Administração Interna, Luís Neves, na sequência da polémica relacionada com a construção de uma casa em Odemira.
O primeiro-ministro respondeu de forma categórica e alargou a declaração de confiança aos restantes membros do Executivo. “Com certeza, plenamente”, respondeu Luís Montenegro, ao ser questionado sobre a confiança em Luís Neves.
Montenegro rejeitou as acusações dirigidas ao ministro e assegurou que não foi cometida qualquer ilegalidade nem prejudicado o interesse público.
“Não diga porque não é verdade que o ministro ameaçou alguém, não cometeu nenhuma ilegalidade, não prejudicou o interesse público face a qualquer interesse particular”, afirmou Luís Montenegro.
O chefe do Governo garantiu ainda que Luís Neves prestará todos os esclarecimentos necessários sobre o caso.