Fact-check: o que é verdade, impreciso ou enganador no discurso de Montenegro no Estado da Nação

Fact-check: o que é verdade, impreciso ou enganador no discurso de Montenegro no Estado da Nação

  • 16/07/2026 13:59
  • Redação

No arranque do debate do Estado da Nação, o primeiro-ministro discursou esta quinta-feira no Parlamento durante exatos 30 minutos onde enumerou os vários feitos do Governo da AD nos últimos dois anos e três meses, com base em dezenas de números sobre imigração, saúde, educação, habitação, impostos e pensões.

Luís Montenegro fala no espaço temporal entre 2021 e 2024, ano em que o seu Governo tomou posse, mas os números de que fala — o aumento de 800 mil pessoas na população estrangeira — aconteceram entre o final de 2021 e o final de 2025, o que já inclui mais de um ano e meio de Montenegro como primeiro-ministro.

Olhando apenas para o período em que o Governo da AD ainda não tinha tomado posse, é preciso tomar em conta o número de imigrantes com estatuto legal de residente no final de 2023 (quatro meses antes do Governo vencer as eleições), quando havia 1,35 milhões de imigrantes.

No final de 2025, o número de imigrantes cresceu para quase 1,6 milhões. Em relação à população total, que é de 11,4 milhões de pessoas, equivale a 14%.

Ainda na linha da imigração, Luís Montenegro usou também o crescimento da população com base no aumento da imigração para justificar o aumento de utentes inscritos no Serviço Nacional de Saúde.

No entanto, Luís Montenegro omite que, no mesmo período, também houve um crescimento de 100 mil pessoas no número de utentes sem médico de família.

Isso significa que são agora 1,6 milhões os portugueses sem acesso a médico de família, quando o mesmo número era de 1,5 milhões quando Montenegro e a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tomaram posse.

E isso também significa que a percentagem de portugueses sem médico de família aumentou desde que o Governo toma posse (era de 15,1% em abril de 2024 e agora está nos 15,5%).

Repetidamente durante o seu discurso, Luís Montenegro enunciou que o seu Governo aumentou por três vezes o Complemento Solidário para Idosos.

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, escreveu uma carta aberta aos beneficiários a anunciar a subida de 550 para 600 euros mensais do apoio.

A terceira aconteceu em janeiro de 2026, com a subida do CSI de 630 para 670 euros mensais — um aumento de 40 euros.

No entanto, o executivo colocou no seu Programa de Governo o objetivo de atingir os 870 euros em 2029, o que implica um crescimento de 200 euros para os próximos três anos.

Entre eles, escreveu que “não aumentámos um único imposto, em dois Orçamentos do Estado consecutivos”.

Refere-se aos Orçamentos de 2025 e 2026 onde, de fato, não subiu um imposto, mas vários.

É verdade que não foi criado nenhum imposto novo, nem subiram as taxas gerais de IRS/IRC. Mas houve, sim, agravamentos de impostos já existentes.

  • Fonte: Rádio Renascença
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