Miguel Baumgartner: "Trump identifica a China como principal inimigo dos EUA"
- 16/07/2026 23:55
- Redação
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de interferir nas eleições norte-americanas de 2020, num discurso direcionado à nação na madrugada desta sexta-feira.
O analista de assuntos internacionais Miguel Baumgartner admite que, com as acusações, Trump identifica a China como "o principal inimigo dos Estados Unidos", não apenas como "inimigo económico, mas inimigo militar e de segurança, quase como se a China quisesse interferir nos Estados Unidos para o destruir".
"A China está quase cara-a-cara com os Estados Unidos em termos da economia", admite o analista, que descreve que a capacidade económica chinesa permite "ocupar muitas vezes o espaço deixado livre por parte dos Estados Unidos".
Portanto, isto não é uma declaração de guerra à China, mas é uma declaração ao mundo de que o grande inimigo para os Estados Unidos não é mais a Rússia, não é o Irão, não é a questão do Médio Oriente, é efetivamente a China", afirma Baumgartner.
Trump admitiu que o sistema eleitoral norte-americano é vulnerável, meses antes das eleições intercalares nos Estados Unidos.
"Durante todo o discurso, Trump desqualificou o sistema eleitoral americano, que neste momento não dá garantias de segurança para que o povo possa votar, e que a vontade do povo americano possa ser expressa nas eleições de forma democrática", descreve o especialista.
"Um cenário perigoso", é assim que o analista político descreve a "caixa de pandora" aberta com o discurso de Donald Trump: "se as eleições intercalares em novembro não correrem bem, e se o partido republicano perder, Trump pode simplesmente não reconhecer as eleições, dizer que as eleições não foram sérias, que foram fraudelentas e que ele tem provas para isso".
Face às vulnerabilidades no sistema eleitoral, Donald Trump promoveu um diploma chamado "American Safe Act", que admite entregar ao Congresso dos EUA.
"Ele diz que vai pedir aos americanos que liguem a cada membro do congresso, para que façam a aprovação dessa nova legislação para que, de alguma forma, esta nova legislação possa defender os interesses dos americanos relativamente à questão das eleições", diz Miguel Baumgartner.
Donald Trump admitiu ainda que as interferências eleitorais terão ocorrido em 18 estados, todos eles, neste momento, "governados por democratas", destaca o analista.
"Portanto, não só ele abre esta caixa de Pandora a dizer que o sistema não funciona por interferência da China, mas também diz que estas fraudes foram cometidas principalmente nestes Estados, quase dando aqui a ideia de que de alguma forma os democratas tiveram uma vitória por razão da China, que poderiam estar envolvidos" realça o comentador de assuntos internacionais".