Atrasar 2ª fase dos exames para setembro? “Dava para descansar. Já aconteceu em anos anteriores”
- 17/07/2026 09:55
- Redação
Nenhum dos sons que se ouve diz respeito à correria habitual do dia de divulgação das notas dos exames nacionais. Da porta da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Benfica, Lisboa, os ouvidos identificam, ora os pássaros pendurados nas árvores, ora os carros que vão passando em frente ao portão.
As assistentes operacionais também identificam uma manhã atípica. “Ui, só lá para a tarde é que chegam as pessoas. O ministro disse que as notas só eram publicadas nessa altura”.
Em frente à entrada para os corredores totalmente vazios e ao lado da vitrine que não segura nenhuma pauta, a professora explica que o ideal seria ter o resultado das provas “no máximo, até às três ou quatro da tarde”, para os professores terem depois tempo para levantar o “anonimato das provas” com o “rigor” que o processo merece.
Se isso não acontecer e as provas ficarem penduradas mais um dia, a solução para esta diretora é só uma. “Mudar a segunda fase dos exames para setembro. Já aconteceu em anos anteriores”.
A logística seria difícil, mas daria um balão de oxigénio importante para famílias e professores. “Implica uma alteração de vários calendários. Do acesso ao ensino superior, calendário da abertura do ano escolar, mas teríamos aqui um tempo para descansar – os professores precisam descansar – e para os pais irem gozar as suas férias que têm direito com os seus filhos”, aponta.
As últimas semanas têm sido de “muita ansiedade”, mais até do que a que era comum em “anos anteriores”. O problema com as correções digitais veio abanar as escolas que “estavam apaziguadas” e pôr tudo em alvoroço. Mas Rosária guarda uma certeza: se não fosse a qualidade dos docentes, o cenário ainda teria sido pior.
“Foram os verdadeiros heróis desta história. A história ainda não terminou, mas quase, quase. Os professores cumpriram mais uma vez, com muito profissionalismo, aquilo que sempre fazem ao longo dos anos: em primeiro lugar, estão os alunos”.
A confirmar-se a chegada das notas ainda esta sexta-feira, os próximos dias vão ser de muito trabalho: os alunos têm 48 horas para se inscrever na segunda fase e o primeiro exame – de português – é já na próxima terça-feira. O stress, prevê Rosária, vai subir a pique, mas as escolas estão preparadas.
“Aqui é equipa que está coesa e com um único objetivo: ser facilitadores na organização, na conceção e no resultado. Fazer o melhor possível no tempo que nos derem para fazer”.
Ao longo de mais de duas horas, contam-se pelos dedos de uma mão os pais e familiares que passam pelas portas da secundária de Benfica – a maioria entendeu bem as palavras de Fernando Alexandre que avisou na quinta-feira à noite que as pautas só chegariam “à tarde”.
Rita decidiu vir tentar a sorte. Está no 12.º ano e já sabe que precisa de ir à segunda fase do exame de Português. “Somos os principais prejudicados. É muito chato. Há muita gente que precisa dos exames para a faculdade”.
Mantém esperança de que as notas saiam ainda esta sexta-feira, mas aponta que os atrasos sucessivos só dificultam ainda mais a vida aos estudantes. “Já perdi a manhã de estudo. A tarde também se calhar, para vir aqui. Segunda-feira vai ser igual, para me inscrever na segunda fase”.
Por aqui, a incompreensão nas mudanças do modelo de correção é muita. Principalmente entre os professores.
Por aqui, agora só resta mesmo esperar. E, mesmo depois de as notas aparecerem, o desabafo de uma mãe à saída da escola mostra que o desagrado e a desconfiança dificilmente se esquecerão. “E se a segunda fase não for dia 21, lá se foram as férias. Este ministro, a sério…”