Curtas Vila do Conde arranca esta sexta-feira com "atenção à realidade do mundo"

Curtas Vila do Conde arranca esta sexta-feira com "atenção à realidade do mundo"

  • 17/07/2026 09:55
  • Redação

O Curtas Vila do Conde está de regresso esta sexta-feira e volta a trazer muito cinema à cidade do norte do país até 26 de julho.

A 34.ª edição do festival traz mais de 125 estreias nacionais e perto de 20 estreias mundiais para as salas do Teatro Municipal de Vila do Conde, contando ainda com a presença de alguns profissionais internacionais da indústria.

Uma delas é a produtora Christine Vachon, colaboradora predileta do realizador Todd Haynes. Esta parceria estará em foco no festival com um ciclo que passará pela exibição dos filmes "Carol" - na sessão de abertura desta sexta-feira - "The Velvet Underground", "Safe", entre outros.

Vachon marca presença em Vila do Conde para integrar o júri de secções competitivas do Curtas e para participar numa conversa sobre a sua carreira (e que vai contar com a exibição surpresa de uma curta-metragem).

"É evidente que tê-la no júri é para nós um gosto muito grande. Os festivais também se fazem pela qualidade dos seus júris", sublinha.

Outro cineasta que estará em Vila do Conde é Mohammad Rasoulof. A presença do realizador iraniano é mais um exemplo de como o cinema deste país tem ganho cada vez mais importância no panorama atual. Para lá de filmes que já passaram por Portugal, como "O Mal Não Existe" e "A Semente do Figo Sagrado", o festival vai exibir outras obras de Mohammad Rasoulof como "Jazireh Aahani" ou "Lerd".

Miguel Dias aponta que o Curtas está com particular atenção "ao contexto do mundo e ao que se tem passado" e que a presença de Rasoulof é um sinal disso. Por outro lado, a atualidade também se faz sentir na Competição Internacional, em que surge várias curtas-metragens em que a Palestina e os conflitos na Cisjordânia são o tema principal.

"O critério principal de seleção é a qualidade intrínseca dos filmes, que é sempre uma coisa subjetiva. Mas, como não podia deixar de ser, há muitos filmes que nos chegam que abordam estas questões. Estes que selecionamos estão entre aqueles que achamos mais interessantes", explica.

De resto, Miguel Dias sublinha que o formato de curta-metragem "presta-se mais a retratar a realidade do momento de forma mais imediata", em comparação com longas-metragens por terem uma "maior leveza e rapidez de meios de produção".

Todos os anos o Curtas Vila do Conde conta com a estreia de uma exposição na Solar - Galeria de Arte Cinemática. Este ano, encontramos "H is for History, N is for Now", a cargo da artista Miranda Pennell. Trata-se de uma cineasta que já foi premiada pelo festival numa edição anterior e que terá também o seu trabalho exibido de novo, assim como uma secção em que teve carta branca para programar filmes à sua escolha.

"Mais ligada ao cinema experimental, ligada à exploração de arquivos, fotográficos e de filme. Pega nesses arquivos para fazer uma interpretação muito própria dos documentos históricos, muito ligada a temas como Gaza ou Irão, nas suas interrogações", explica Miguel Dias.

"O próprio título da exposição é uma afirmação daquilo que podemos encontrar. A atualidade, mas vista a partir de fragmentos da História do colonialismo, violência, poder. Ou seja, arquivo do passado que rima com o nosso presente", acrescenta o responsável da direção artística do Curtas.

Na secção Cinema Revisitado, haverá em destaque "Empty Suitcases", com a presença da realizadora Bette Gordon para recordar a obra. Também serão exibidas curtas-metragens de John Smith, com presença do cineasta.

No entanto, o maior destaque desta categoria vai para a mostra de cinco filmes antológicos, que compilam várias curtas-metragens. Miguel Dias explica que são trabalhos que marcaram o cinema europeu dos anos 60 e 70, mas que também se estendeu por todo o mundo, elaborado por produtores "que procuravam objetos de prestígio, unindo no mesmo filme vários realizadores famosos".

Um deles é precisamente "New York Stories" que conta com curtas-metragens de Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen.

E como é tradicional no Curtas Vila do Conde, a música volta a ter um papel importante. Para lá de documentários musicais e da habitual competição de videoclipes, a secção Stereo reúne quatro espetáculos que fundem concerto e cinema.

Bruno Miguel e Nuno Canavarro apre sentam uma nova composição para uma seleção de filmes de Germaine Dulac, o músico britânico Alabaster DePlume propõe uma nova leitura de “Time of the Heathen” (1961), de Peter Kass, uma nova colaboração entre o compositor e baterista Gabriel Ferrandini e o realizador e produtor Luís Costa e, ainda, o encontro dos Mão Morta Reduz e o universo cinematográfico de Pedro Serrazina, numa criação ao vivo que percorre diferentes momentos da filmografia do realizador português.

  • Fonte: Rádio Renascença
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