Ministro da Educação parece estar "à procura de um bode expiatório", diz João Costa

  • 17/07/2026 12:00
  • Redação

Fernando Alexandre disse esta sexta-feira, no Parlamento, que o Júri Nacional "tem as condições e a responsabilidade de enviar hoje as notas à escola".

João Costa lembra que o Júri Nacional é uma estrutura do ministério da Educação e conclui que as declarações do ministro "são uma enorme injustiça".

O ministro da Educação disse esta sexta-feira que Júri Nacional de Exames "tem as condições e a responsabilidade de enviar hoje as notas às escolas". Como analisa esta declaração de Fernando Alexandre?

Tenho estado calado, mas neste momento acho que é preciso comentar isto. O Júri Nacional de Exames não é uma entidade abstrata. É uma estrutura do Ministério da Educação que responde ao presidente do Instituto, que é o EduQA, que por sua vez responde aos membros do Governo. Portanto, não faz sentido estar neste momento a empurrar toda a responsabilidade de um processo – que foi complexo – para um único organismo, como se já estivéssemos a antecipar que no final do dia o único que vai assumir a responsabilidade disto tudo é o presidente do Júri Nacional de Exames, que certamente não esteve a trabalhar sozinho até hoje.

Aliás, as informações que temos foi que, por exemplo, consultores da Deloitte estiveram em permanência no Ministério da Educação nesta operação.

Portanto, a mim não me interessam as coisas partidárias, não me interessam demissões, não me interessa nada disso, interessa-me que este processo corra bem, mas penso que é de uma enorme injustiça e até um bocado sacudir de responsabilidades, no final do processo, estar a apontar apenas alguns trabalhadores do Ministério da Educação como se não houvesse outras ilações a tirar.

Já me disse que lhe interessa mais isso do que propriamente falar em demissões, mas considera que o ministro tem condições para continuar no cargo depois de tudo isto?

Eu não quero comentar isso, isso são decisões dos primeiro-ministro, são decisões dos próprios. Agora, há narrativas que foram sendo criadas e que não são felizes, eu acho esta particularmente infeliz.

Eu tenho conhecimento que o anterior presidente do Júri Nacional de Exames se demitiu, há cerca de um ano, entre outras razões por que pediu para ser feito um balanço do [exame] piloto, de Filosofia, e esse balanço não foi feito. Portanto, neste momento estar a responsabilizar apenas uma parte, parece um bocadinho estar à procura de um bode expiatório numa questão que é obviamente muito, muito complexa, que terá responsabilidades muito partilhadas.

É preocupante que até esta hora ainda não tenham sido divulgados os resultados?

Se for para eles saírem com qualidade, ainda bem, apesar dos atrasos. Acho que a mim nunca me interessou nisto os prazos, interessa-me sobretudo a qualidade e a fiabilidade das classificações que vão sair.

  • Fonte: Rádio Renascença
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