Intervalo da final do Mundial "à Super Bowl". O que muda para os jogadores e para a carteira da FIFA?

Intervalo da final do Mundial "à Super Bowl". O que muda para os jogadores e para a carteira da FIFA?

  • 17/07/2026 12:25
  • Redação

Que nos Estados Unidos da América os intervalos sejam quase tão importantes como os períodos em que os desportos se praticam não é novidade. E, seguindo a tradição, o intervalo da final do Mundial 2026 vai durar quase meia hora e terá um espetáculo musical. O que muda para os jogadores e qual o impacto para as finanças da FIFA?

A mudança deixa escancaradas as portas para que o tempo entre as duas partes de 45 minutos seja uma réplica do que acontece no "Super Bowl", jogo que coroa o campeão de futebol americano.

Mas, na prática, o que muda com mais de 10 minutos de intervalo? Os jogadores e equipas técnicas têm de alterar hábitos? O que a FIFA ganha com a "americanização" da final do Mundial?

Comecemos por espanhóis e argentinos, os que vão realmente a jogo em Nova Jérsia. Até ao dia da final, os futebolistas de todo o planeta, mais ou menos de elite, estavam habituados a uma panóplia limitada de rotinas durante o intervalo. A partir de 19 de julho, abre-se um precedente e muitos dos que vão disputar o jogo das suas vidas, vão também ser cobaias de uma experiência.

Bola Branca conversou com Carlos Bruno, preparador físico com décadas de experiência no Sporting e que acompanhou Jorge Jesus no Fenerbahçe e Al Hilal, que é peremptório: não crê que haja lugar a alterações de fundo.

"Têm que fazer um aquecimento mais formal para a segunda parte porque vão estar mais tempos parados e o corpo vai arrefecer bastante. Têm que fazer um reaquecimento e tem de ser com algum tempo de esforço, não baste uma coisa de alguns segundos", prevê.

Com o que sobra é também importante olhar para a reposição de nutrientes, que ganharam tempo para desaparecer.

"Consumir nutrientes, bebidas ou alimentos mais energéticos, como fruta e, especificamente, bananas", recomenda Carlos Bruno.

Quanto à FIFA, o aumento do nível de entretenimento abre espaço no porta-moedas. Quanto mais tempo as pessoas passam ligadas ao evento, mais audiência, mais patrocinadores e, no fim, mais receita.

Para Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM), "é neste campeonato, claramente, que a FIFA está a trabalhar para esta final do Mundial".

O modelo não é novo e é, aliás, bastante antigo no país em que tudo se decide. O Super Bowl tem números que envaidecem os norte-americanos, em muito alavancados pelos espetáculos do intervalo, que têm mais audiência que o jogo em si.

E conseguimos transportar estes números para a final do Campeonato do Mundo? Antes da final, não conseguimos ter certeza, mas o diretor-executivo do IPAM arrisca e prevê que os recordes, tantas vezes embandeirados pelos fãs de futebol americano, sejam "pulverizados" este domingo.

"Estamos a falar de uma competição global, com uma atenção mediática absolutamente espantosa. Com esta replicação da fórmula da Super Bowl no Mundial de futebol, tudo indica que se ultrapassará e pulverizará todos os recordes que normalmente a Super Bowl consegue obter", antecipa.

Quanto aos adeptos, haverá quem goste e quem resista, mas Daniel Sá sublinha que para o mercado do entretenimento "é tremendo" e, portanto, o futebol e, mais especificamente, a FIFA têm de encontrar argumentos para entrar e recolher os proveitos. E, no final, os apaixonados vão ter de se resignar.

"Mesmo para os adeptos que não gostem tanto destas modernices, acho que inevitavelmente vão passar a sentir estes eventos como naturais na competição", prevê o diretor-executivo do IPAM.

  • Fonte: Rádio Renascença
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