Plano iraniano para matar Trump? "Há risco. EUA devem ter cuidado"
- 17/07/2026 12:18
- Redação
“Devem ter cuidado”. O tenente-general Rafael Martins considera que os Estados Unidos não devem ignorar nem subvalorizar as suspeitas de um plano do Irão para assassinar o Presidente Donald Trump.
A possibilidade terá sido identificada pelos serviços secretos israelitas na última semana e comunicada aos serviços de inteligência norte-americanos. Ainda assim, o vice-chefe do Estado Maior da Força Aérea não acredita que seja “fumo” vindo de Israel. “Todos os temas de segurança sobre Donald Trump são identificados”.
Quanto ao regresso dos ataques em força entre Estados Unidos e Irão, Rafael Martins não considera que seja “impossível” ter um acordo de cessar-fogo em breve.
Este especialista militar nota “intermitências” e “abertura” por parte do regime iraniano e a razão, diz, não é difícil de adivinhar – tal como Donald Trump, Teerão também está interessado em “fazer negócios”, nomeadamente para fortalecer a posição no poder.
“O regime – que, inicialmente, Trump e Netanyahu queriam derrotar –, parece ter saído fortalecido e pretende perpetuar-se. Conseguiu também, através de uma limitação significativa e de uma ação mediática e psicológica, passar a mensagem ganhadora. Galvaniza uma parte significativa, especialmente os que estão alinhados com o regime, mas depois a faixa que tem dúvidas e acaba por se juntar aos ganhadores.”
Quanto ao Estreito de Ormuz, e depois de o bloqueio iraniano e o contra bloqueio norte-americano terminarem, Rafael Martins assinala que apenas a existência de duas rotas vai ser capaz de garantir segurança na região no curto prazo.
Daí para a frente, os Estados Unidos terão o desafio de criar uma “zona de exclusão muito robusta, aérea e marítima”, para permitir a passagem com segurança de mercadorias. A juntar a isso, há ainda o perigo das minas naquelas águas.
“Imagine que as minas estavam no leito do Estreito e que elas poderiam ser remotamente ativadas sobre um controlo e tornarem-se ativas por uma determinada frequência, um determinado estímulo. Esse desconhecimento é crítico, porque apesar de uma não interferência física, o Irão poderia atuar nesses mecanismos e criar um acidente de graves produções.”
Já na leitura do comentador residente Manuel Poêjo Torres, esta zona de segurança só seria facilmente criada se houvesse cooperação por parte dos aliados europeus – uma hipótese que continua afastada.
“Era necessário o envolvimento direto dos aliados europeus e canadianos, mas essa é uma batalha jurídica, económica e política que a Europa não quer. Os europeus estão focados no flanco leste à medida que Donald Trump admite retirar tropas e fazer alterações ‘ad hoc’ aos planos da NATO de há várias décadas.”
Sobre a guerra na Ucrânia, Rafael Martins prevê uma continuação dos ataques massivos da Rússia.
O tenente-general avisa que – apesar do acordo assinado esta semana com a União Europeia – Kiev vai demorar a fortalecer a defesa antiaérea, apesar da cooperação anunciada esta semana com Bruxelas. E isso deve preocupar.
“Só terá resultados em princípio para robustecer a defesa aérea para o próximo verão. Eu creio que a Rússia se mantém irredutível no seu projeto inicial e que vai continuar a utilizar aquilo que tem de mais destrutivo para vencer ou para dobrar a resistência ucraniana, que são os seus mísseis”.
Quanto ao atraso na aprovação do 21.º pacote de sanções da União Europeia à Rússia, Manuel Poêjo Torres lamenta que a “solução ainda não tenha chegado” e aponta que este é mais um ponto a mostrar como a Ucrânia vai ser a “muleta militar” da União Europeia.
“Quem fez mais pelo sucesso das sanções não foi a União Europeia, mas foi a Ucrânia, a atacar refinarias petroquímicas, centros de exploração petrolífera na Rússia e a executar manobras que vão magoar, destruir e fazer uma grande degradação de toda uma indústria que ajudava a Rússia a suportar-se”.