LabOratório: a iniciativa dos jesuítas que está a aproximar os jovens da música litúrgica e de Deus

  • 17/07/2026 13:08
  • Redação

A 4.ª edição do LabOratório vai decorrer pela primeira vez no Algarve. Há 45 inscritos para esta semana de formação intensiva, que se destina a quem quer aprofundar conhecimentos para tocar, cantar, dirigir coros ou compor música litúrgica.

Vai decorrer mais uma edição do labOratório, desta vez no Algarve. É a principal novidade em relação às edições anteriores?

Vai ser uma semana intensiva de LabOratório, que já não aconteci desde 2021. Uma das grandes novidades, de facto, é essa, sai de Lisboa e vai até o Algarve. Já tinha acontecido antes, uma experiência piloto que teve lugar no Colégio das Caldinhas, em Santo Tirso. Mas, como atividade grande, é a primeira vez que acontece fora de Lisboa.

E nasce, precisamente, do desejo e da intuição de antigos participantes, e da equipa, de que era tempo de sair do centro, dos espaços cómodos, onde as próprias comunidades de jovens ligados à Companhia de Jesus estão muito presentes, e levar o LabOratório a outro lugar, onde pudesse ser de semente, provocar e beber de outros modos de esta. E a opção foi o Algarve, Portimão, concretamente aos espaços da Escola EB 23 D. Martim Castelo Branco, que generosamente nos vai acolher, e da Paróquia de Nossa Senhora do Amparo.

Mas, não é a única novidade: esta edição também vai ser vivida em modo internato, vamos estar todos a viver juntos, a dormir nos mesmos espaços, o que acabará por intensificar a experiência da vida em comunidade.

Porque o LabOratório é, antes de tudo, uma experiência de comunidade, de gente muito diferente, de idades muito diferentes, que se encontra para rezar, partilhar, crescer e criar música em conjunto, sempre com o Nosso Senhor no centro. É um encontro de gente que se junta com o desejo de experimentar a beleza, e criar música que possa ajudar a encontrar este Deus nessa mesma beleza. Essa é a segunda novidade, que é o facto de que possamos viver juntos de um modo tão intenso esta experiência do laboratório.

A quem se destina esta iniciativa, qual é o público alvo? Tem de ter conhecimento musical?

Esta semana é principalmente pensada para quem está entre os 16 e os 35 anos, mas acabamos sempre por acolher jovens de outras idades.

Os participantes não têm de ter uma formação musical prévia, clássica, ser profissionais ou já iniciados na música, mas sim um gosto e sensibilidade para a música. O resto, constrói-se lá, em comunidade, aprendendo-as com os outros, guiados por músicos profissionais e por gente que sabe o que está a fazer.

Esta diversidade de idades e de formações acaba por ser parte da riqueza do laboratório.

Nesta edição estão inscritos cerca de 45 participantes. Juntamente com a equipa, que também integra a comunidade total que vive a experiência, seremos um grupo de quase 60.

O dia a dia do LabOratório é marcado pelo ritmo da oração litúrgica da comunidade, desde a oração de Laudes, pela manhã, ao tempo de silêncio a meio do dia, em que nos juntamos para rezar os textos que serão lidos na celebração da missa, ao final do dia. O dia acaba por ser pautado por este tempo, para parar e rezar juntos, e também para preparar as celebrações, pelos ensaios dos cânticos que serão usados na celebração, e que são quase todos novos, criados para cada edição. São os cânticos que posteriormente vão ser divulgados, e que sonhamos possam ser usados por muitas comunidades.

Mas, o laboratório não é só rezar e ensaiar cânticos, é também espaço de desenvolver competências musicais, também litúrgicas. As manhãs são um tempo essencialmente formativo, para desenvolver a técnica vocal, as práticas instrumentais de tocar em conjunto, de improvisação, de aprender o uso dos instrumentos dentro da celebração, ou da direção coral, técnicas de aprender a preparar um coro, ou até de composição, desenvolver a criatividade, ver como cada um pode pôr a sua arte ao serviço, criar nova música ou novos textos que possam ser usados amanhã. Para isso não há necessidade de ter uma formação prévia, alguns são mais avançados, outros não tanto, e partem daquilo que são as suas realidades, guiados por estes professores.

Além disso , temos outros tipos de ateliês e conferências, que têm um caráter mais litúrgico, mais pastoral, e onde exploramos critérios sobre a música litúrgica, os desafios concretos na vida real das comunidades, não apenas com o intuito de ensinar, formar com grandes conferências, mas que sejam orientados por quem saiba necessariamente mais e seja mais experimentado, companheiros que vão mais à frente e que conduzem, ajudam a fazer caminho àqueles que estão ainda a começar.

As tardes são marcadas por tempos de ensaios, de preparação das músicas novas e gravação do repertório, para que possa ser usado nas celebrações.

À noite, o LabOratório também abre portas a quem nos quiser visitar, em dias concretos. Todos são convidados, desde logo, a participar nas eucaristias celebradas na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, mas haverá uma Vigília de Oração, na quarta-feira à noite, dia 22 de julho, na mesma igreja, e o tradicional concerto final será dia 25 de julho, sábado à noite, na igreja do antigo colégio da Companhia de Jesus, no centro de Portimão. Todos estão convidados.

Esta será uma semana intensa de formação e criação de música litúrgica, para quem canta, quem toca, mas também para quem quer aprender a dirigir um coro, ou até a compor música sacra. Há muitos jovens interessados em aprofundar o conhecimento a este nível?

A verdade é que sim, temos encontrado muitos jovens, com muito desejo de poder desenvolver as suas competências na área da música. Não é só para isso que o LabOratório existe – para isso há as escolas de música, naturalmente –, mas para aprofundar o conhecimento na área da música litúrgica, da música ao serviço da celebração.

Inspirado espiritualidade inaciana, própria da Companhia de Jesus, o LabOratório, parece-me, tem dado um contributo bonito e importante para muita gente, de idades, proveniências e formações muito distintas, de contextos e realidades eclesiais, diferentes, mas que partilham o amor a Nosso Senhor, o gosto pela beleza da celebração, que não depende de estilos ou linguagens musicais específicos ou exclusivos, mas acaba por vir do poder celebrar juntos, sentir a comunidade reunida com o propósito comum de experimentar a presença de Deus no meio dela.

Vamos vendo este desejo na quantidade de jovens que já participaram nas diferentes edições, e também no modo como o repertório do LabOratório foi sendo divulgado e vai sendo usado um pouco por todo o lado, ou pelos constantes pedidos que nos chegam, através de contactos de e-mail, ou pelas redes sociais não só a pedir repertório nosso, materiais de gravações, partituras, mas às vezes também com perguntas específicas sobre algum tema, ou a pedir ajuda e colaboração para algumas formações concretas das suas comunidades e grupos de jovens que reconhecem que podemos ajudar, de alguma maneira.

Vamos encontrando cada vez mais, nestas gerações mais novas, gente com gosto em saber cantar, tocar melhor, a querer saber preparar bem os coros nas suas comunidades e encontrar músicas bonitas, com linguagens que ajudem a encontrar Deus, com profundidade, e com as quais se possam também identificar e rever musicalmente. Este é o nosso grande propósito. Não o de criar música para uma experiência intimista, ou apenas pessoal, mística, mas que, sem perder a profundidade, a beleza e o cuidado que toda a liturgia pede às celebrações, possam ser geradoras de comunhão e de comunidade.

A equipa do LabOratório é composta por pessoas com formações muito diferentes, em áreas distintas, mas a formação é assegurada por músicos profissionais, jesuítas e leigos, que estudaram e são profissionais nas suas áreas respectivas, desde professores de musicologia, cantores e instrumentistas, músicos formados em direção coral, ou nas áreas da música litúrgica e da liturgia. É gente que estudou mesmo a sério estas áreas, que são profissionais e que generosamente, de forma voluntária, estão em cada edição para ajudar a que os participantes possam desenvolver as suas competências e capacidades, a sua sensibilidade e aprender a pô-la ao serviço, a potenciar aquilo que a sua música pode ser, pode dar e pode ajudar a aproximar outros de Deus.

A equipa não é só formada por músicos e professores, também conta com gente de muitas áreas diferentes, como a comunicação e a economia, que ajuda e dá do seu tempo para que o LabOratório possa continuar a existir.

Que frutos práticos tem sido possível colher das edições anteriores? Esta formação tem permitido melhorar a oferta de coros e músicos?

Esse foi exatamente o ponto de partida da preparação desta edição. A última tinha sido em 2021, e achávamos que o lugar para começar era precisamente sondar os antigos participantes e perceber que frutos aquele laboratório tinha gerado neles e, por extensão, nas suas comunidades. E foi uma experiência muito consoladora!

Muitos indicaram ter desenvolvido, desde logo, a sensibilidade e gosto pela celebração bem cuidada, pela música bem preparada e cantada. Mas, não só isso, também um cuidado pastoral, aquilo que tinham levado muito do LabOratório tinha sido a experiência de comunidade, o gosto pelo poder partilhar estes momentos, de viver a fé juntos. E, mais ainda, por perceber a importância de ter cuidado com a assembleia, com o preparar o coro, com a atenção aos momentos justos e melhores para cantar, e o sentido de pôr toda a gente, toda a assembleia das suas comunidades a cantar juntos.

Além disto, o repertório do LabOratório já conta com mais de 300 músicas originais, e vai sendo conhecido e usado um pouco por todo o lado, à medida que vai sendo divulgado.

Justamente por causa desta busca, há cerca de um ano publicámos nas plataformas de streaming – no Spotify e na Apple Music – boa parte das gravações do nosso repertório, que pode ser encontrado na página de artista da comunidade do LabOratório, e tem sido uma surpresa ver a quantidade de gente que diariamente usa a nossa música para rezar, para sentir a presença de Deus, e que nos vão transmitindo também a sua gratidão pela nossa música, incentivando-nos a fazer mais.

Neste sentido, estamos a construir um novo site, que vai disponibilizar os materiais necessários para aprenderem os nossos cânticos – partituras, gravações –, de modo a que possam ser usados pelas comunidades, porque foi para isso que foram feitos.

Este site vai contar com os materiais de formação que foram sendo elaborados ao longo destes anos, textos, vídeos que foram usados nas diferentes edições, e que podem ser usados e ajudar outras pessoas.

Estou muito convencido – estamos todos – que o LabOratório já permitiu que muitos jovens músicos se interessassem por desenvolver as suas capacidades e formações, que tem ajudado muitos a pôr os seus dons a render, ao serviço da liturgia e das suas comunidades cristãs.

Esperamos que esta nova edição possa dar igualmente frutos, que possam chegar e ajudar as comunidades a celebrar. Se a nossa música puder ser um meio que possa fazer uma assembleia sentir-se mais comunidade, reunida à volta do altar e a experimentar a presença de Deus, então, creio que a nossa missão estará cumprida.

  • Fonte: Rádio Renascença
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