Porque é que o preço dos combustíveis vai subir outra vez?

  • 17/07/2026 14:30
  • Redação

A três dias de novo aumento no preço dos combustíveis, sabe-se que o gasóleo vai subir 12 cêntimos e a gasolina seis cêntimos, de acordo com a ANAREC.

Um dos principais fatores prende-se com a guerra no Médio Oriente e o impacto no estreito de Ormuz, com os constrangimentos na navegação marítima – local por onde passa um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

Com o bloqueio naval do estreito e as ameaças sobre quem o tentasse atravessar, os prémios de risco e os custos do transporte aumentaram consideravelmente.

Sim, ainda assim, o barril de petróleo Brent, que serve de referência para o mercado europeu, tem estado a negociar esta semana um preço abaixo dos 90 dólares – muito longe do pico de 120 dólares, quando estourou a guerra no Médio Oriente.

A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) explica que isso acontece devido aos elevados custos de refinação e à escassez de capacidade de armazenamento na Europa.

Ou seja, há outros custos associados que não estão apenas relacionados com o preço do Brent, que correspondem apenas a uma pequena parte do preço final.

A gasolina e o gasóleo, que são produtos refinados, têm cotações próprias nos mercados internacionais e o valor tem estado a subir.

É preciso ainda acrescentar os custos com o transporte, o armazenamento e toda a logística inerente ao processo.

O gasóleo tem tido aumentos maiores, porque há um défice crónico de refinação na Europa, o que obriga a depender fortemente de importações.

A Europa fechou várias refinarias por causa da transição energética. Em Portugal, por exemplo, a Galp fechou a refinaria em Matosinhos.

Ao mesmo tempo, a Europa dependia do gasóleo já refinado da Rússia, mas as sanções por causa da invasão da Ucrânia obrigaram a uma mudança de fornecedores e a trazer o combustível da Ásia ou dos Estados Unidos da América – o que fica mais caro.

Trata-se de um indicador médio semanal calculado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Esse indicador é calculado a partir das cotações internacionais dos produtos refinados, dos fretes marítimos, da logistica, das reservas estratégicas, dos biocombustíveis, do retalho e dos impostos.

Este preço eficiente geralmente é mais baixo do que aquele que encontramos na bomba, mas, com os descontos de cartões ou campanhas promocionais, os valores de venda acabam por ser inferiores ao valor eficiente.

De acordo com a ERSE, os impostos representam cerca de metade do preço eficiente da gasolina 95 e do gasóleo simples.

  • Fonte: Rádio Renascença
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