Antigo presidente do Júri Nacional de Exames acusa ministro de avançar com correção digital sem avaliar projeto-piloto
- 18/07/2026 12:59
- Redação
O antigo presidente do Júri Nacional de Exames (JNE), Luís Duque de Almeida, acusa o ministro da Educação de ter decidido alargar a correção digital a todos os exames nacionais sem pedir qualquer avaliação à experiência-piloto realizada em 2025 na disciplina de Filosofia, que já tinha revelado constrangimentos.
"O senhor ministro não solicitou ao Júri Nacional de Exames qualquer balanço sobre a Filosofia. Sei que com o Júri nunca reuniu, nem nunca fez nenhum balanço. (...) Também sei que, quer da minha parte, quer da parte do meu colega, que é agora o atual presidente do Júri, nós éramos de opinião que não se poderia generalizar", afirma.
O antigo responsável diz mesmo desconhecer em que informação se baseou o ministro para tomar essa decisão.
"Não sei com que informação é que o senhor ministro tomou essa decisão. De certeza que do Júri não foi, porque o Júri não foi solicitado para tal", sublinha.
Na sua perspetiva, o processo exigia uma fase de preparação e de testes, até porque, sublinha, "a Filosofia tinha tido alguns constrangimentos" e, por isso, "era muito arriscado avançar para a digitalização de todos os exames". O antigo presidente do JNE acrescenta que "era necessário haver um planeamento e uma testagem", admitindo desconhecer se esse trabalho chegou a ser feito.
Luís Duque de Almeida revela ainda que decidiu abandonar a presidência do Júri Nacional de Exames no início do atual ano letivo devido à forma como a tutela conduzia o processo. Explica que sempre privilegiou o planeamento antecipado e que não se revia num método de trabalho marcado por decisões de última hora.
"Gosto de trabalhar com as coisas planeadas e não gosto de estar sempre a trabalhar com surpresas e com coisas que são pedidas à última da hora", afirma, acrescentando que, por essa razão, já antecipava que este seria "um ano que não ia ser fácil".
O antigo responsável aproveita também para defender o atual presidente do Júri Nacional de Exames, considerando injustas as críticas feitas pelo ministro da Educação ao organismo. Recorda que o JNE integra a estrutura do Ministério da Educação e lamenta que a tutela esteja a tentar afastar de si as responsabilidades pelos problemas registados. "O Júri Nacional de Exames é uma estrutura do Ministério da Educação", recorda, concluindo que lamenta "este sacudir da responsabilidade".
Para Luís Duque de Almeida, o impacto desta crise vai além dos atrasos na divulgação das classificações.
O antigo presidente do JNE receia que os problemas deste ano comprometam a credibilidade de uma estrutura que, durante décadas, mereceu a confiança das escolas, dos alunos e das famílias. "O Júri Nacional de Exames era uma estrutura em que as escolas confiavam, os pais confiavam, os alunos confiavam", afirma, lamentando que "todo este processo esteja, infelizmente, um bocadinho posto em causa".