Ventura pede demissão de Luís Neves e avisa Montenegro para risco de "captura do Estado"

Ventura pede demissão de Luís Neves e avisa Montenegro para risco de "captura do Estado"

  • 18/07/2026 14:44
  • Redação

O presidente do Chega, André Ventura, enviou este sábado uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, na qual pede a demissão do ministro da Administração Interna, Luís Neves, por considerar que a sua permanência em funções compromete a credibilidade das instituições democráticas e a autoridade do Governo.

O líder do Chega sustenta que as notícias conhecidas nos últimos dias "comprometem gravemente a confiança dos portugueses nas instituições" e chegam a transmitir a ideia de que "um grupo de crime organizado capturou o Estado português". Nesse contexto, considera que Luís Montenegro deve agir rapidamente, sob pena de fragilizar ainda mais a autoridade do Executivo.

Para Ventura, "a permanência em funções do Sr. Ministro da Administração Interna afeta muito negativamente a imagem do Governo" e acabará por arrastá-lo "para a cumplicidade criminosa, pressão sobre as instituições de investigação criminal e perda de autoridade institucional".

Na mesma carta, o presidente do Chega questiona como poderá Luís Neves continuar a exercer funções perante as suspeitas que recaem sobre si. Ventura pergunta "como pode ser garantido o regular funcionamento das instituições se há suspeitas de ligação entre o Ministro das polícias e as investigações ao crime organizado mais violento e destruidor" e acrescenta que o governante dificilmente terá "autoridade para coordenar o combate aos incêndios sem qualquer autoridade política".

André Ventura dirige também críticas ao silêncio dos restantes partidos, em especial do Partido Socialista, e apela diretamente ao primeiro-ministro. Na sua perspetiva, se Luís Montenegro quiser preservar a sua autoridade política, "tem de agir nesta circunstância" e "não pode ter medo de agir".

Para sustentar a sua posição, o líder do Chega recorda o caso do antigo ministro da Administração Interna Miguel Macedo, que se demitiu durante o Governo de Pedro Passos Coelho por estar envolvido numa investigação, apesar de vir a ser absolvido. Ventura argumenta que o caso atual é "muito mais grave" e, por isso, "não é tempo para tibiezas nem hesitações".

Na parte final da carta, escrita após a reunião com o Presidente da República, André Ventura deixa um aviso a Luís Montenegro: se o Governo não agir, poderá passar a ideia de que o Estado foi capturado pelo crime organizado.

O líder do Chega afirma que, "se nada for feito", isso poderá significar que "as instituições em Portugal estão já completamente capturadas por correntes obscuras e subterrâneas de poder e de criminalidade", cenário que considera ser o mais grave para o futuro do país.

  • Fonte: Rádio Renascença
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