Espanha-Argentina. A final inédita entre campeões em busca de um legado

Espanha-Argentina. A final inédita entre campeões em busca de um legado

  • 19/07/2026 03:55
  • Redação

Espanha versus Argentina. Lamine Yamal versus Lionel Messi, os próximos 20 anos contra os últimos 20. O campeão da Europa frente ao campeão da América do Sul. Colonizador versus antiga colónia. O coletivo em que os astros se diluem diante do coletivo que eleva a mais brilhante estrela. São muitos os motivos para ligar a televisão, no domingo, às 20h00, e ver a final do Mundial 2026.

Um dos maiores motivos é o legado, a nível individual e coletivo. Espanha pode replicar o que fez entre 2008 e 2012, quando ganhou, consecutivamente, Europeu, Mundial, Europeu. A equipa de Luis de la Fuente já tem no bolso o Euro 2024 e, agora, procura acrescentar a presente edição do Campeonato do Mundo — e apontar a mira ao Euro 2028, que se realizará no Reino Unido e na República da Irlanda.

A Argentina já tem o último Mundial (2022) e as duas últimas Copas América (2021 e 2024). São três títulos seguidos. Se a equipa albiceleste vencer a Espanha na final, quebrará dois enguiços: nunca o número 1 do ranking FIFA (contando apenas as listagens oficiais, à entrada do torneio) conquistou o Mundial; e desde 1962, há 64 anos, desde o Brasil de Pelé, que uma seleção não se sagra bicampeã do mundo.

Pelé levou o Brasil ao título em 1958 e 1962. Nem a Argentina de Diego Armando Maradona, que venceu em 1986 mas perdeu em 1990, conseguiu semelhante feito. Nem o Brasil do "Fenômeno" Ronaldo, que ganhou em 1994 e perdeu a final em 1998.

Esta é uma final inédita. Curiosamente, e apesar de marcarem regularmente presença nas fases adiantadas de Mundiais, Argentina e Espanha só se defrontaram uma vez, em 1966, há 60 anos. Na altura, venceram os sul-americanos, por 2-1, com um bis de Luis Artime (do lado espanhol, marcou Pirri). Outra vez a numerologia do 6, de que o agora ex-selecionador português, Roberto Martínez, tanto gosta.

Aliás, essa foi mesmo a única vez que Espanha e Argentina se encontraram em jogos oficiais. De resto, só particulares, 13 no total: os europeus levam vantagem, com seis vitórias, embora os sul-americanos estejam logo atrás, com cinco; houve ainda dois empates. Os dois últimos duelos resultaram em goleadas, uma para cada lado: 4-1 para a Argentina, em 2010, e 6-1 para a Espanha, em 2018.

As duas equipas até iam encontrar-se no final de março de 2026, na Finalíssima da FIFA, encontro que opõe os campeões europeu e sul-americano. Porém, a disputa do troféu, que ia ter lugar no Qatar, foi cancelada devido ao conflito no Médio Oriente.

Este é também um jogo de ídolos. Os maiores de todos são Lionel Messi e Lamine Yamal. Há 19 anos, quando ainda não se sabia que um seria um dos melhores de sempre e o outro daria jogador, uma campanha da Unicef gerou uma fotografia de um jovem de 20 anos a dar banho a um bebé de cinco meses. Leo e Lamine.

Quase duas décadas depois, Messi é o farol da Argentina, aos 39 anos, e Yamal a nova luz da Espanha, aos 19. Esta final é uma espécie de passagem de testemunho, com marca La Masía. São dois produtos da academia do Barcelona, o eterno 10 e o novo.

Os dois desempenham papéis distintos nas suas seleções. Lamine, que veio de lesão e ainda parece estar a uns passos da plenitude física, é mais uma engrenagem na máquina da Espanha. Abdica dos lampejos de craque em prol da equipa, o individual ao serviço do coletivo. Uma imagem bastante diferente da do Euro 2024, em que os espanhóis dependiam muito dos rasgos individuais de Yamal e de Nico Williams.

Do outro lado, praticamente a antítese. Embora quase quarentão, Leo continua a ser o expoente máximo do futebol argentino. Lionel Scaloni montou uma máquina — uma família, "La Scaloneta" — em que cada peça trabalha para Messi. O grupo uniu-se em torno do génio, o coletivo ao serviço de uma individualidade ímpar.

De la Fuente foi o escolhido da Real Federação Espanhola de Futebol, depois da eliminação da Espanha, então orientada por Luis Enrique (agora bicampeão europeu com o PSG) aos pés de Marrocos — que também afastaria Portugal —, no Mundial 2022. Como jogador, era defesa e passou a vida toda no Athletic de Bilbau e no Sevilha, à exceção do último ano da carreira, em que representou o Alavés.

Como treinador, depois de 15 anos nas camadas de formação de Sevilha e Athletic, entrou para as seleções jovens da Espanha. Foi campeão europeu de sub-19 e sub-21, antes de subir à seleção principal, numa prova da aposta sustentada do futebol espanhol na formação de jogadores e treinadores. Em cerca de quatro anos como selecionador AA, conquistou a Liga das Nações 2023 e o Euro 2024.

Scaloni é uma lenda do Deportivo da Corunha, clube pelo qual somou 365 jogos, 22 golos e 17 assistências, ao longo de oito anos. O antigo defesa foi campeão espanhol em 2000, ao serviço dos galegos, e mais tarde capitão. Também foi figura, como jogador na Lazio. Foi campeão do mundo de sub-20 com a Argentina.

Como treinador, depois de uma breve passagem pela equipa técnica do Sevilha (bem depois de De la Fuente), assumiu os sub-20 da Argentina e, logo de seguida, a seleção principal. De desconhecido ao homem certo, o caminho é história: tem agora duas Copas Américas, uma Finalíssima e o Mundial 2022 no currículo.

Esta final terá o maior número de Bolas de Ouro: nove. A questão é que oito delas são de Messi; a outra é de Rodri. Será também a primeira final com um jogador com nome de embarcação: o argentino Valentín Barco, de 21 anos.

Este jogo coroará, ainda, o primeiro duas vezes campeão do século 21: a Espanha venceu em 2010 e a Argentina em 2022, e uma delas triunfará de novo.

Por fim, uma homenagem à equipa sensação deste Mundial: será uma final entre duas equipas que não conseguiram derrotar Cabo Verde em 90 minutos. A Espanha empatou a zeros, logo na primeira jornada da fase de grupos, e a Argentina precisou do prolongamento para quebrar o 1-1 (ficou 3-2), nos 16 avos de final.

Estão lançados os dados para a final do Mundial 2026, marcada para domingo, às 20h00, no MetLife Stadium, em Nova Jérsia, no Estado de Nova Iorque, nos EUA.

  • Fonte: Rádio Renascença
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