Cuba volta a enfrentar apagões. Cortes de eletricidade podem atingir 64% da ilha

Cuba volta a enfrentar apagões. Cortes de eletricidade podem atingir 64% da ilha

  • 19/07/2026 13:58
  • Redação

Cuba prepara-se para enfrentar novos cortes generalizados de eletricidade, com a empresa estatal União Elétrica (UNE) a prever que o défice de produção alcance 64% da procura durante a tarde e a noite deste domingo, o período de maior consumo de energia.

A ilha atravessa uma grave crise energética, que se arrasta desde meados de 2024 e se agravou este ano. As autoridades atribuem a situação ao bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, mas também ao estado de degradação das infraestruturas elétricas, marcado por décadas de falta de investimento nas centrais termoelétricas.

Na terça-feira, o país registou a terceira falha total do Sistema Elétrico Nacional (SEN) numa semana e a quinta desde o início do ano. Apesar da reposição do serviço, os cortes continuaram a afetar grande parte do território, chegando a atingir 72% da ilha nas horas de ponta. Em Havana houve zonas sem eletricidade durante mais de 24 horas, enquanto noutras províncias os apagões prolongaram-se por até dois dias consecutivos.

A situação mantém-se crítica. Metade das centrais termoelétricas do país está fora de serviço devido a avarias ou operações de manutenção. Estas unidades asseguram cerca de 40% da produção de eletricidade e funcionam com petróleo extraído em Cuba.

Outra parcela semelhante da energia é produzida por motores que dependem de gasóleo e fuelóleo importados, cuja disponibilidade continua limitada. Os restantes 20% da eletricidade provêm do gás natural e de fontes renováveis, sobretudo da energia solar, cuja capacidade tem vindo a aumentar com o apoio da China.

O Governo cubano reconhece que o Sistema Elétrico Nacional vive uma situação "grave, crítica e extremamente tensa", resultado da combinação entre a escassez de combustíveis e a obsolescência da rede de produção.

Segundo estimativas, Cuba necessita de mais de 100 mil barris de petróleo por dia para responder às necessidades energéticas, mas a produção nacional ronda apenas os 40 mil barris diários.

O último carregamento de crude recebido do exterior chegou no final de março, quando o petroleiro russo Anatoli Kolodkin entregou cerca de 730 mil barris de petróleo, quantidade suficiente para abastecer o país durante apenas duas semanas.

A crise energética continua a penalizar a economia cubana, praticamente paralisando a atividade estatal. As previsões apontam para uma contração de pelo menos 6,5% da economia este ano, depois de uma quebra acumulada superior a 15% nos últimos cinco anos.

  • Fonte: Rádio Renascença
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