"Levei com uma folha que não pertencia ao meu exame": começam a surgir falhas na correção digital dos exames
- 19/07/2026 13:25
- Redação
Na Escola Secundária Joaquim Araújo, em Penafiel, onde os alunos já podem consultar as provas corrigidas, há pelo menos um caso de um estudante que garante ter recebido uma resposta que não escreveu no exame de Português.
É o caso de Tiago Santos, aluno do 12.º ano. Ao rever a prova, deparou-se com uma folha que, assegura, pertencia a outro exame. "Tenho o meu exame de Português impresso porque eu levei com uma folha que não pertencia ao meu exame", explica. O jovem acredita que essa resposta acabou por ser corrigida como se fosse sua: "Eu penso que foi avaliada como a minha."
Apesar de defender a modernização do sistema, considera que a implementação falhou. "A ideia era boa, mas a execução foi péssima", resume, acrescentando que o novo modelo "não transmite tanta confiança" porque "foi muito mal executado".
Também José Maia, igualmente aluno do 12.º ano, prepara um pedido de reapreciação das provas de Matemática e Português. Depois de comparar a cotação atribuída com os critérios de classificação divulgados pelo Júri Nacional de Exames, diz ter concluído que existem erros. "Consoante os critérios de avaliação publicados pelo júri, depois de ver a minha cotação aqui na escola, está errado", afirma.
Segundo o estudante, a consequência é imediata: "Neste momento estou impossibilitado de concorrer à primeira fase da faculdade." Uma situação que descreve como particularmente dolorosa: "É como se fosse uma facada, porque acabam de me tirar o chão."
As dúvidas levantadas pelos alunos encontram eco entre os próprios professores classificadores. A subdiretora da Escola Secundária Joaquim Araújo, Maria do Sameiro, admite que a nova forma de correção aumentou o risco de falhas. Explica que, ao contrário do modelo anterior, em que cada professor corrigia um exame do princípio ao fim, agora as provas são divididas por diferentes classificadores. "Ao desmembrar uma prova, o risco de perda é grande", alerta.
A docente lembra ainda que o processo continua a depender da intervenção humana. "Nós somos humanos e falhámos, evidentemente", reconhece, concluindo que, por isso, "é mau".
Na Escola Secundária Joaquim Araújo já foram, entretanto, desbloqueadas as 13 classificações que estavam suspensas, embora ao final da tarde permanecesse um aluno sem nota atribuída.
Os casos conhecidos em Penafiel surgem numa altura em que o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) já admitiu que algumas classificações inicialmente enviadas às escolas continham erros devido a uma falha na exportação dos ficheiros. Entretanto, multiplicam-se os pedidos de reapreciação e as dúvidas sobre a fiabilidade da primeira correção integralmente digital dos exames nacionais.