Raimundo diz que Governo está em profunda degradação e não descarta moção de censura

Raimundo diz que Governo está em profunda degradação e não descarta moção de censura

  • 19/07/2026 17:23
  • Redação

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou este domingo que o Governo está "em profunda degradação" e não excluiu a possibilidade de o partido apresentar uma moção de censura.

Em declarações aos jornalistas, em Braga, durante um convívio com militantes, o líder comunista considerou que as recentes polémicas envolvendo os ministros da Educação e da Administração Interna se juntam aos problemas nas áreas da Saúde e das Infraestruturas, sustentando que até o primeiro-ministro "já não conta bem com ele".

"Basta ver a forma como entrou no debate do Estado da Nação (...), que revela, de facto, o primeiro-ministro aflito. (...) Quanto mais avança a sua política, mais contestação há, mais isolado o Governo fica", afirmou.

Sobre os atrasos e problemas nos exames nacionais, Paulo Raimundo classificou a situação como uma "trapalhada" e um "caos completo", acusando o ministro da Educação de arrogância, desresponsabilização e de responsabilizar professores, diretores, famílias e alunos.

"Depois do que fez as famílias passarem (...), as condições para continuar a falar com os professores, as famílias, os diretores de escolas e os estudantes são muito reduzidas. Eu acho que não são nenhumas", afirmou.

O dirigente comunista considerou, contudo, que a responsabilidade não é apenas do ministro Fernando Alexandre, mas de todo o Governo, incluindo o primeiro-ministro.

Sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo defendeu que "é preciso esclarecer tudo" relativamente às notícias sobre alegadas ligações a um empresário da construção civil.

Questionado sobre a permanência dos dois ministros no Governo, Raimundo afirmou que o PCP não tem por hábito pedir demissões, por considerar que o problema reside nas políticas do executivo e não apenas nos seus titulares.

Para o líder comunista, o Governo está "em profunda degradação" e o primeiro-ministro procura acelerar medidas como a privatização da TAP e da CP, alterações à Segurança Social e à legislação laboral.

Nesse contexto, garantiu que o PCP utilizará todos os instrumentos políticos ao seu alcance para travar o executivo, não afastando a apresentação de uma moção de censura.

"Nós nunca afastamos esta possibilidade (...). É um elemento que temos nas nossas mãos para poder utilizar e logo veremos quando entendermos que é o momento certo", concluiu.

O caso que envolve Luís Neves diz respeito a alegados factos ocorridos quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) e relaciona-se com ligações a uma empresa de construção civil de Barcelos que realizou obras para a PJ e numa propriedade privada do atual ministro, no Alentejo.

Na sexta-feira, a PJ anunciou a abertura de um inquérito relacionado com um reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atrelado a um camião da empresa Construbarcelos. O Ministério Público confirmou igualmente a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos no âmbito da Operação Pacoba, atualmente em fase de julgamento.

  • Fonte: Rádio Renascença
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