Portugueses e o novo PM do Reino Unido. Uma mudança um “bocadinho inevitável”, diz eleitora

Portugueses e o novo PM do Reino Unido. Uma mudança um “bocadinho inevitável”, diz eleitora

  • 20/07/2026 06:20
  • Redação

Para estes dois portugueses, a ausência de uma luta real pelo cargo não tira legitimidade a Burnham. Christina defende que o facto de “mais ninguém se ter chegado à frente diz mais sobre o partido do que sobre Burnham”. Miguel diz já estar “habituado a ter um primeiro-ministro que não era o líder do partido nas eleições”, o que não coloca a legitimidade em causa porque quem vota sabe que está "a votar para o Parlamento, não no líder". "Acaba por ser um processo normal numa democracia”, conclui.

O que esperam, então, do novo primeiro-ministro? No discurso de vitória depois de se tornar líder do partido, Burnham prometeu estabilidade, ciente do cansaço público perante a constante dança das cadeiras do poder.

Christina não espera “nada muito revolucionário, um pouco mais do mesmo”. Burnham promete mudanças para aliviar o aumento do custo de vida, por exemplo, mas não sabemos quais os seus planos para atingir esse objetivo. Tanto Miguel como Christina mostram-se, no entanto, entusiasmados com a ideia de descentralização do poder. Enquanto mayor de Manchester, Burnham foi sempre crítico da forma como o poder estava concentrado em Londres e propõe agora que se crie um segundo número 10 - a residência oficial do primeiro-ministro - em Manchester, no norte de Inglaterra, para mudar alguns setores de governação para fora de Londres, propondo também alargar os poderes locais.

No balanço da governação, Starmer destaca o trabalho que fez na habitação, e Christina gostava “que Burnham continuasse esse trabalho, em relação à construção e habitação.”

Miguel gostava também de ver aliviadas as restrições à imigração mas, até ver, Burnham mostrou-se comprometido em continuar o trabalho de Starmer, que conseguiu reduzir os números de imigração, uma das grandes preocupações dos eleitores britânicos.

O que Burnham fizer até às próximas eleições, na mais longa das campanhas, vai determinar se os trabalhistas conseguem manter o poder e afastar o Reform, que neste momento lidera as sondagens. Nessa altura, Christina diz que “talvez explore as propostas dos verdes ou dos liberais democratas”. Para Miguel, será sempre uma decisão com base nos líderes dos partidos, as propostas e os candidatos ao seu círculo eleitoral, de onde sai o deputado que o vai representar no Parlamento.

E é hoje o Reino Unido um pior sítio para viver do que quando se mudaram? Christina diz que, “nos setores de saúde e habitação, talvez tenha piorado”, mas destaca que a crise na habitação e o aumento do custo de vida “não são um exclusivo do Reino Unido”. Já Miguel acredita que há áreas em que o país “não cresceu tanto como podia ter crescido” pela instabilidade gerada por um culpado já conhecido: “não diria que está pior, mas se ainda fizesse parte da União Europeia estaria melhor”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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