Processo dos exames nacionais "é um mar de imprecisões, correções e incorreções", desabafa diretor escolar
- 20/07/2026 11:17
- Redação
Os efeitos dos problemas na classificação dos exames nacionais do 11.º . 12.º anos continuam a fazer-se sentir esta segunda-feira. A poucas horas do arranque da segunda fase, há ainda alunos sem acesso à nota ou à prova realizada.
"Neste momento não sei a minha classificação no exame nem tenho acesso à prova que fiz", conta Gonçalo, aluno do 12.º ano da Escola Secundária Almeida Garrett, em Vila Nova de Gaia.
O estudante tentou obter uma cópia do exame junto da secretaria, mas sem sucesso. "Perguntei se conseguiam imprimir a minha prova, mas disseram que não era possível. Vou ter de aguardar até à tarde", lamenta.
Embora os colegas de Gonçalo já conheçam as respetivas classificações, os atrasos continuam a ter impacto. Os alunos só tiveram acesso às provas ao final da manhã desta segunda-feira e dispõem apenas até às 16h30 de terça-feira para apresentar um pedido de reapreciação.
Com o exame de Português da segunda fase marcado para a manhã desta terça-feira, muitos veem-se obrigados a escolher entre preparar a prova ou analisar o exame da primeira fase para decidir se avançam com um pedido de reapreciação.
Marta Pinho, também aluna do 12.º ano, relata situações insólitas, como "colegas a receberem exames com tipos de letra diferentes dos seus", e considera que a resolução destes problemas é "urgente".
A estudante da Escola Secundária Almeida Garrett reconhece o esforço da escola para acompanhar os alunos, mas considera que o processo de classificação deste ano agravou a ansiedade numa fase já exigente.
A direção da escola reconhece que as falhas persistem. O diretor, Paulo Mota, descreve o processo como "um contínuo mar de imprecisões, de correções e incorreções".
"Sistematicamente, estamos a receber novidades que não são aquelas que esperaríamos. Recebemos, de facto, as classificações do 9.º ano, recebemos situações de erros nas pautas de Física e Química [do 12.º ano]. Há um conjunto de coisas que não controlamos, mas que estamos a tentar corrigir à medida que nos são sinalizadas", afirma.
"Era uma fase em que devíamos assegurar o mínimo de ansiedade e pressão possível, porque é um período muito intenso para estes estudantes. Acho que foi tudo muito caótico, desnecessariamente", afirma.
Apesar dos problemas, Paulo Mota considera que o novo modelo de classificação tem potencial. "Relativamente à ideia e ao princípio deste sistema, a maior parte dos professores está solidária. É um sistema mais célere e mais simplificado", refere.
Ainda assim, o diretor entende que a implementação ficou muito aquém do esperado, falando num "descontrolo total do processo" e classificando o arranque do novo sistema como "um desastre".
Perante as sucessivas correções e atualizações, Paulo Mota deixa ainda um conselho aos alunos que pretendem candidatar-se ao ensino superior: adiar por um ou dois dias o pedido da ficha ENES, para reduzir o risco de o documento ser emitido com incorreções.
Ainda assim garante que a escola irá continuar a auxiliar os alunos e que, até ao final do dia, todas as provas irão estar disponibilizadas para os alunos.
Enquanto as falhas continuam a ser corrigidas, escolas e estudantes entram na segunda fase dos exames, ainda com incertezas sobre o futuro.