700 mil pessoas têm de sair da área de residência para levantar dinheiro
- 20/07/2026 13:14
- Redação
A rede de acesso a numerário – composta por caixas multibanco e balcões bancários – voltou a diminuir em 2025, pelo segundo ano consecutivo. Passou de 18.098 pontos para 17.933 pontos de acesso. No entanto, continua a chegar praticamente a todo o país. No último ano, 95% da população podia levantar dinheiro a menos de cinco quilómetros da residência e 99% a menos de 10 quilómetros, por estrada.
Segundo o estudo divulgado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal, para 93% da população, existe um acesso alternativo à rede a menos de cinco quilómetros, e para 98% a menos de 10 quilómetros, o que “atenua o impacto de eventuais indisponibilidades, falhas operacionais ou decisões de racionalização da rede”, defende o supervisor.
Na verdade, o número de caixas automáticas aumentou para 14.654, mas isto não compensou a diminuição de balcões com serviços de numerário.
Apesar de Portugal continuar entre os países da área do euro com níveis de cobertura de acesso ao numerário mais elevados, existem populações que vivem com este problema diariamente. O pior caso é o de Quirás, em Vinhais, distrito de Bragança, onde o multibanco e o banco mais próximos ficam a 30 quilómetros.
Em 2025, 40% das freguesias, 1.241 num total de 3.092, não tinham multibanco. Estão nesta situação 7% da população, 700 mil pessoas, cerca de 90% residem em áreas rurais.
O Banco de Portugal fala em área com “cobertura da rede mais reduzida, sobretudo zonas periféricas, com baixa densidade populacional, povoamento disperso e menor atividade económica”.
Bragança, com 41 freguesias afetadas, e Vila Real, com 13, são os distritos mais afetados. Seguem-se Guarda (7), Beja, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Santarém e Viana do Castelo. Só nestas 67 freguesias residem 16 mil pessoas, segundo os dados do INE anteriores à atualização.
Os concelhos com mais freguesias sem acesso a levantamento de numerário e mais longe do multibanco, alguns moradores chegam a fazer 20 quilómetros para levantar dinheiro, são Beja, Boticas, Bragança, Carrazeda de Ansiães, Chaves, Mirandela, Mogadouro, Montalegre, Torre de Moncorvo, Vimioso e Vinhais.
Algumas das freguesias mais distantes de um multibanco já estão a receber pontos de acesso (PoS) a dinheiro, no âmbito do projeto “Multibanco +Próximo”, desenvolvido pela SIBS.
Este projeto está ainda em fase piloto, em cerca de 30 juntas. O primeiro aparelho foi instalado há duas semanas em Bragança, na junta de freguesia de Tó, em Mogadouro. Nas próximas semanas a iniciativa chega às freguesias de Mértola (Beja) e Mêda (Guarda).
O objetivo é garantir que os 7% da população, 1.241 freguesias, que neste momento têm que se deslocar para levantar dinheiro, ficam com alternativas de acesso a numerário: um balcão de um banco, um ATM ou um ponto de cash-in-shop, que permite levantar dinheiro num supermercado ou loja.
O gabinete de Álvaro Santos Pereira sublinha que “o numerário continua a ser um instrumento de pagamento essencial e um instrumento de inclusão financeira e, como tal, é fundamental assegurar que a população dispõe de condições adequadas de acesso”.
De acordo com este estudo, “eventuais respostas beneficiarão de uma abordagem geograficamente direcionada”, defende o banco central.