Nicarágua. "Aqui não haverá mais eleições", diz o presidente Ortega
- 21/07/2026 05:38
- Redação
"Aqui não haverá mais eleições", afirmou o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no domingo, durante a comemoração da Revolução sandinista.
Além disso, Ortega anunciou que irá trabalhar com o Parlamento, controlado por ele, para “erguer um muro” contra os partidos políticos que pretendam chegar ao Governo por essa via.
"Esqueçam! Aqui não haverá mais eleições para que eles [os partidos políticos da oposição] tentem, por essa via, conquistar o Governo, conquistar o poder”, afirmou Ortega neste dia 19 de julho, durante a cerimónia do 47.º aniversário da insurreição sandinista que derrubou o ditador Anastasio Somoza Debayle em 1979.
Embora, na prática, o anúncio não altere uma realidade bem conhecida pelos nicaraguenses — as eleições locais e nacionais têm sido marcadas por sucessivas fraudes desde 2008, segundo organismos internacionais de observação eleitoral —, representa, no entanto, um salto discursivo e político, escreve o El País.
As eleições presidenciais de 2021 já foram o melhor exemplo de um sistema sem concorrência: Ortega e a esposa, a copresidente Rosario Murillo, prenderam todos os pré-candidatos da oposição com possibilidades reais de lhes disputar o poder nas urnas e atribuíram a si próprios 75,92% dos votos.
A isto acresce o facto de o regime co-presidencial ter expulso todos os opositores, os ter inibido vitaliciamente de se candidatarem a cargos públicos, ao declará-los traidores da pátria e ao imputar-lhes outros crimes políticos.
O advogado e opositor no exílio Juan Diego Barberena insiste que a novidade não é o facto de as eleições deixarem de ser livres. "Há duas décadas que o direito de voto era violado, mas agora Ortega está a dizer que nem mesmo as eleições fraudulentas, as farsas que organizavam, vão realizar-se", remata.