“Não me foi pedido”. Ex-presidente do JNE não reportou as falhas dos exames de Filosofia
- 21/07/2026 07:33
- Redação
“É claro que, se a tutela tivesse solicitado ao Júri Nacional de Exames o relatório, este teria sido enviado e faríamos obviamente esse relatório, porque tínhamos informação e dispúnhamos de informação para realmente fazê-lo”, afirma.
Apesar de tal não ter acontecido, Luís Duque de Almeida garante que alertou verbalmente o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, de que este “não ia ser um ano nada fácil”, embora admita que não antecipava a generalização. Segundo o antigo responsável, o secretário de Estado terá desvalorizado esse alerta e respondido que o ano seria “muito mais fácil” precisamente por causa da digitalização das provas.
“Eu estava de saída, não sabia o que ia acontecer, não sabia sequer da decisão se o senhor ministro queria ou não queria generalizar”, assegura.
Luís Duque de Almeida recorda ainda que, no ano passado, o Ministério da Educação pediu um relatório na sequência do atraso na publicação das notas dos exames do 9.º ano e, nesse caso, o JNE "prestou essas informações".
“O Júri Nacional de Exames prestou essas informações atempadamente e dentro dos prazos que tinham sido solicitados”, relembra.
O antigo presidente do JNE endurece ainda as críticas ao Governo e diz não perceber “como é que foi possível tomar uma decisão e comunicá-la no dia 11 de setembro de 2025, sem dispor de qualquer informação proveniente de uma das entidades com maior relevância no processo de avaliação externa”.
“Soube no dia 11 de setembro, quando ouvi o senhor ministro, na abertura do ano letivo, anunciar a generalização. Nem sabia que era essa a intenção da tutela”, conclui.
[Notícia atualizada às 13h42 de 21 de julho de 2026 para acrescentar mais citações da entrevista]