Sobrecarga nas secretarias das escolas. Numa hora 30 senhas distribuídas

Sobrecarga nas secretarias das escolas. Numa hora 30 senhas distribuídas

  • 21/07/2026 12:54
  • Redação

7h30, Escola Secundária D. Filipa de Lencastre, em Lisboa. A manhã está de temperatura amena, a porta da escola já está aberta. Cá fora, um homem de pé lê um livro. Reina a tranquilidade, apesar de ser o primeiro dia da segunda fase dos exames nacionais.

O homem que lê o livro está de volta à escola secundária para acautelar assuntos burocráticos da vida escolar do filho, estudante do 12.º ano. Fez exames nacionais e quando recebeu a prova viu que estava enquadrado como aluno externo, o que não corresponde à realidade. O assunto tem de ser resolvido na secretaria.

“Vim cedo porque como tenho que trabalhar cedo também queria ver se conseguia ir para o trabalho o mais cedo possível”, diz José Lopes.

“Havia uma grande confusão, disseram-me que estavam a dar senhas e que havia pelo menos uma hora e meia de espera. Não podia esperar tanto tempo e regressei à tarde. Quando cheguei já nem sequer havia senhas”, descreve.

Numa altura marcada por várias confusões em torno dos exames, o filho de José Lopes, aspirante a gestor ou economista, teve sorte e este foi o único problema que teve. Sexta-feira à noite recebeu as notas dos exames “com notas até razoavelmente boas”, descreve o pai, razão pela qual nem pediram para ter acesso à versão digital do exame.

Depois chegam mais pessoas. Um deles nitidamente aluno, vestido de preto e auscultadores nos ouvidos. Chama-se Ricardo Ribeiro, tem 19 anos. O ano passado concluiu o 12.º ano tentou entrar no seu curso superior de eleição – Biologia – mas não conseguiu. Este ano letivo esteve a trabalhar e a preparar-se para repetir o exame de Biologia e Geologia. Fez o exame, mas a nota não foi a que esperava.

“Vou pedir a reapreciação da minha cotação do exame, tinha cá vindo ontem, mas já não havia senhas”, diz, reconhecendo que possivelmente já veio “um pouco tarde, mas não sabia que a situação aqui na escola estava assim”.

Enquanto a reapreciação é feita e não, Ricardo aproveita e paga também a inscrição para fazer melhoria na segunda fase. “A minha nota foi três valores abaixo do que estava à espera”, lamenta.

Ao lado de Ricardo estão duas jovens amigas. Também vêm à secretaria, cada uma pela sua razão. Joana recebeu as suas notas na sexta-feira, teve acesso ao ficheiro PDF na segunda e hoje está de volta à escola.

“Vou fazer a segunda fase e preciso de pagar os exames. Vim ontem, mas como já vim um bocadinho tarde, estava imensa gente e não consegui”, diz a aluna que reconhece estar enervada. Ainda assim, remata, “está tudo bem”.

A amiga Maria Leonor alinha no mesmo tom de descontração, se calhar porque os resultados “até foram melhores do que esperava”. Ainda assim, vai repetir o exame de Matemática na segunda fase, ao mesmo tempo que hoje na secretaria vai pedir a ficha ENES, essencial para fazer a sua candidatura ao ensino superior. O objetivo é entrar no curso de Engenharia e Gestão Industrial e todas as décimas contam.

“Não vale a pena estar a stressar porque não há nada que eu possa fazer”, diz, rematando que confia no processo e que no fim de contas tudo ficará bem.

Entre conversas e expectativas os ponteiros do relógio já deram mais de uma volta. As pessoas foram-se acumulando à porta e o funcionário da escola distribuindo senhas. Numa hora foram 30.

  • Fonte: Rádio Renascença
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