Exames nacionais: Oposição exige divulgação da informação que levou ministro a alargar digitalização

Exames nacionais: Oposição exige divulgação da informação que levou ministro a alargar digitalização

  • 21/07/2026 13:23
  • Redação

O líder parlamentar do Partido Socialista acusa o ministro Fernando Alexandre de “negligência grosseira” porque, apesar de não ter recebido nenhum relatório sobre o projeto piloto de Filosofia, decidiu avançar para a generalização do processo de digitalização dos exames nacionais.

“É uma negligência grosseira que colocou em causa os exames do ano de 2026 e a vida de milhares de alunos”, disse Eurico Brilhante Dias.

O deputado do PS, que falava aos jornalistas enquanto o ministro da Educação ainda estava na Comissão Parlamentar de Educação, destacou desta audição o facto de Fernando Alexandre ter tomado a decisão imediatamente após a saída do antigo presidente do Júri Nacional de Exames.

“Um dos aspetos mais importantes do dia de hoje é o facto do Sr. ministro dizer que não recebeu um relatório do antigo responsável pelo Júri Nacional de Exames, tendo nós sabido que a decisão foi tomada de imediato após a saída desse responsável”, disse.

Eurico Brilhante Dias considerou ainda que o ministro é incompetente porque não tomou medidas para salvaguardar que todos os alunos recebiam as notas ao mesmo tempo.

“A incompetência é evidente, porque o Sr. ministro tem um processo de avaliação de classificação que corre mal e na sexta-feira à noite, devia ter sido tomada a decisão de garantir que todos os alunos recebiam as notas ao mesmo tempo, para que a igualdade de circunstâncias pudesse ser assegurada”, referiu o líder parlamentar socialista.

Questionado sobre a demissão do ministro Fernando Alexandre, o deputado lembrou que o “PS não tem por hábito pedir a demissão de ministros”, mas acrescenta que este processo correu muito mal e que o Sr. ministro da Educação chegou ao mesmo patamar da Sra. ministra da Saúde”.

A líder da Iniciativa Liberal (IL) exige mais esclarecimentos ao ministro da Educação sobre a informação que tinha sobre o projeto piloto e vai pedir acesso a essa documentação.

Em declarações aos jornalistas, Mariana Leitão considera essencial saber que erros foram detetados no piloto de Filosofia do ano passado e, apesar disso, a decisão foi alargar este processo a todos as provas nacionais.

“Quais foram as vias que utilizou para receber essa informação, quem é que lhe deu essa confirmação e que apresente os documentos, não havendo um relatório, os documentos onde há, efetivamente, a passagem dessa informação de que os eventuais problemas estariam corrigidos e que se estaria em condições de avançar para o alargamento do projeto, ou, neste caso, para o alargamento do processo aos vários exames nacionais”, pede a líder da Iniciativa Liberal.

Os liberais exigem esclarecimentos acrescidos sobre este processo porque a audição de Fernando Alexandre deixou muitas dúvidas sobre se os erros do piloto foram corrigidos ou não.

“O senhor ministro disse, nesta audição, que lhe tinha sido transmitido que todas essas falhas estariam corrigidas e que, portanto, ele teria condições para avançar. Quem prestou esta informação? Com que base é que esta informação foi prestada? Que evidências é que existiam de que esses erros teriam sido corrigidos? E como é que se avança sem que haja, no fundo, um relatório, uma evidência, se elas existem ou não é questão?”, questiona a líder da Iniciativa Liberal.

A líder parlamentar do PCP volta a pedir a isenção da taxa de reapreciação dos exames nacionais, e em declarações aos jornalistas, acusa o ministro de não ter salvaguardado que todos os alunos tinham as mesmas condições e gerou uma série de desigualdades.

“Há estudantes que conheceram a nota, estudantes que conheceram a nota dias depois, estudantes que tiveram conhecimento de uma nota e que ontem já era outra, estudantes que tiveram acesso à prova, outros que ainda não, uns que tiveram acesso à classificação, outros que não tiveram. E isto gera já um conjunto de desigualdades entre os estudantes”, diz Paula Santos, que quer mais esclarecimentos sobre a “época especial de exames que foi anunciada”.

Também o Bloco de Esquerda apela ao fim da taxa de 25 euros para reapreciação do exame e Fabian Figueiredo apela ao primeiro-ministro para tomar essa decisão.

“É a altura de o Sr. primeiro-ministro tomar conta das operações do Ministério da Educação, e avance imediatamente com a isenção desta taxa”, pede o deputado do Bloco de Esquerda.

Apesar do ministro ter garantido que, em caso da nota subir, o dinheiro é devolvido ao aluno, Fabian Figueiredo considera que é uma injustiça o Governo estar a cobrar dinheiro quando é o único responsável por esta situação.

“Não é disso que se trata. Onde antes havia confiança, agora há desconfiança. Portanto, milhares de estudantes vão pedir a reavaliação a mais do que um exame e as famílias não podem ser prejudicadas por um erro que é da inteira responsabilidade do Ministério da Educação”, disse.

  • Fonte: Rádio Renascença
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