"É apenas o início": Embaixador dos EUA confia que projeto Nuvem vai atrair 35 mil milhões em Portugal até 2031

"É apenas o início": Embaixador dos EUA confia que projeto Nuvem vai atrair 35 mil milhões em Portugal até 2031

  • 21/07/2026 14:11
  • Redação

O embaixador dos Estados Unidos da América (EUA) em Portugal afirmou esta terça-feira que cada cabo submarino fiável em solo português é um que não chega a um local menos fiável, considerando que é preciso garantir que a infraestrutura crítica é tratada como tal.

John J. Arrigo falava no Oceanário, em Lisboa, numa cerimónia que juntou responsáveis da Google, da Meo, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, e a presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), Sandra Maximiano, para celebrar a amarração do cabo submarino transatlântico Nuvem, que liga os EUA, as Bermudas, Açores e Portugal Continental.

"Cada novo cabo fiável a amarrar em solo português é um cabo que não está a amarrar num local menos fiável, vamos garantir que esta infraestrutura crítica é tratada como tal", afirmou o diplomata, na sua intervenção.

Portugal vai se tornar o maior polo europeu de investimento norte-americano em infraestruturas de inteligência artificial (IA), afirmou esta terça-feira o embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo.

"A política está estabelecida para evitar fornecedores não fiáveis em qualquer ponto da cadeia de abastecimento", prosseguiu o embaixador, salientando que isso "é importante para Washington" e acredita "ser importante para Lisboa".

O cabo submarino "Nuvem é apenas um exemplo de como as empresas americanas fizeram dos EUA o terceiro maior investidor externo em Portugal: quase 20 mil milhões de dólares (quase 17,5 mil milhões de euros) e a somar, abrangendo desde Inteligência Artificial (IA), energia, agricultura, turismo", elencou o embaixador norte-americano.

Cabos como o Nuvem "são simplesmente o sinal mais evidente de uma parceria que é muito mais profunda", referiu John J. Arrigo.

Segundo o diplomata, o projeto Nuvem é "o sinal mais claro" do aprofundamento da parceria entre os EUA e Portugal.

"Mas isto é apenas o início. Espera-se mais de 40 mil milhões de dólares (35 mil milhões de euros, ao câmbio atual) em investimento tecnológico dos EUA em Portugal até 2031 – 40 mil milhões –, tornando-se a maior concentração de investimento americano em infraestruturas de IA em toda a Europa", enfatizou o diplomata.

Só os investimentos da Google em cabos submarinos deverão gerar mais de 500 milhões de euros de impacto económico anual.

O Nuvem e a parceria da Google com Portugal inserem-se numa agenda económica e tecnológica EUA-Portugal em crescimento em 2026, que se vai ancorar no CEO Forum EUA-Portugal, que irá promover a cooperação e o alinhamento em matéria de IA, computação em nuvem, minerais críticos e infraestruturas, facilitando o investimento e reforçando a segurança, segundo a embaixada.

Atualmente, Portugal tem mais de 2,6 GW de capacidade de centros de dados em desenvolvimento, liderados pelo projeto Start Campus, em Sines, a sul de Lisboa, que prevê uma capacidade de 1,2 GW e é financiado pela empresa norte-americana de investimento Davidson Kempner.

Arrigo afirmou ainda que o modelo português de cloud soberana consegue encontrar um equilíbrio entre abertura e proteção: é suficientemente aberto para continuar a atrair parceiros como a Google, mas suficientemente rigoroso para salvaguardar os interesses estratégicos do país.

"Este é exatamente o modelo de que a Europa precisa neste momento", declarou, defendendo que a escolha da Europa "não é entre soberania e parceria, mas entre construir o futuro digital com aliados de confiança ou tentar fazê-lo sozinha e acabar por ficar para trás".

Já Gonçalo Matias, que interveio no início da cerimónia e não estava presente quando o embaixador falou, disse, referindo-se aos "amigos e parceiros americanos": O Nuvem "é um fio numa amizade muito mais antiga e uma promessa de tudo o que ainda podemos construir juntos".

"Portugal não quer ser apenas um lugar de passagem de dados. Uma ponte é útil – mas uma ponte, por si só, não retém nada", prosseguiu o ministro.

"Queremos que os dados fiquem. Que sejam armazenados aqui. Que sejam processados aqui. Que gerem conhecimento aqui – e, a partir desse conhecimento, investimento e empregos de elevada qualificação para homens e mulheres portugueses", sublinhou, referindo que "este cabo não surge isolado, é a base de algo muito maior – uma estratégia nacional coerente e deliberada", apontou.

Em síntese, "uma Estratégia Digital Nacional para definir a visão a longo prazo para a nossa transformação", rematou o responsável.

Por sua vez, a presidente da Anacom salientou que "se a conectividade é essencial" para a sociedade, então a infraestrutura que a suporta é uma "responsabilidade partilhada".

Já Nuno Cadima, responsável pelas operações [Chief Operations Officer] da Meo, agradeceu à Google pela sua visão, pela sua confiança em Portugal e por ter escolhido a operadora de telecomunicações como parceira nacional no projeto emblemático.

  • Fonte: Rádio Renascença
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