"Verdadeiramente assustador": É assim que Leão XIV descreve um mundo em que as máquinas decidam bombardear pessoas
- 21/07/2026 15:38
- Redação
O Papa considera "verdadeiramente assustadora" a possibilidade de um mundo em que as máquinas decidam bombardear pessoas indefesas.
No prefácio do livro "Desarmados e a Desarmar: A Paz é um Dom", que reúne as intervenções de Leão XIV sobre a paz, lançado esta terça-feira pela Livraria Editora do Vaticano (LEV), o Papa sublinha que "não são as armas atómicas que geram a paz, mas o desarmamento".
“Esta verdade, que parecia clara nas últimas décadas, durante as quais assistimos a uma desescalada nuclear, tem sido obscurecida por uma corrida ao armamento que hoje assusta e aterroriza”, diz, citando, de seguida, o cantor e compositor Bob Dylan que, referindo-se à bomba atómica, escreveu: “Odeio-te porque és coisa do homem, pertences ao homem e é o homem que te manipula”.
No mesmo texto, o Papa lembra que “a história esteve, muitas vezes, perto da catástrofe nuclear” e questiona o impacto da inteligência artificial na Humanidade. “A Igreja humildemente levanta hoje uma questão para todos: a espécie humana continuará a habitar a Terra? A combinação do domínio cibernético com o rearmamento global leva-nos a considerar seriamente esta pergunta”, escreve Leão XIV.
Desde que foi eleito Papa, em maio de 2025, o tema da paz tornou-se central no seu pontificado. No texto agora publicado, Leão XIV lembra que a “paz se constrói com verdade” e sublinha que atualmente há 103 estados em guerra. “As armas ressoam e matam na Ucrânia, no Oriente Médio, no Sudão, em Mianmar, no Iémen, no Congo e em muitas outras situações”, recorda, dizendo, também, que a “paz é uma responsabilidade.
“Se o nosso primeiro instinto, quando nos deparamos com um problema, uma tensão, uma ofensa for o de julgar os outros, acusá-los e até condená-los, será inevitável que primeiro a indiferença e depois o ódio se instalem ao nosso redor”, diz. E acrescenta: “A paz começa por mim. Começa por nós”.