"Avanço extraordinário". Colheita de órgãos alargada a casos de paragem circulatória controlada
- 21/07/2026 19:23
- Redação
A partir de agora já é possível em Portugal colher órgãos de pessoas com uma doença que se tornou irreversível e que são mantidas vivas de forma artificial, como as mortes que acontecem nos cuidados intensivos dos hospitais.
“É um avanço extraordinário” na lei, afirma Eduardo Sousa, que coordenou o grupo de trabalho da Ordem dos Médicos que elaborou o despacho publicado esta terça-feira em Diário da República.
Para o médico intensivista, esta nova possibilidade de colheita traz a esperança de que o país possa reduzir o desequilíbrio entre a oferta e a procura de órgãos.
Em Espanha, mais de metade dos órgãos para transplante são colhidos deste tipo de dadores e, na Bélgica, já são responsáveis pela maioria dos órgãos transplantados, sublinha.
Na prática, são mais as pessoas que passam a poder doar órgãos para transplantes.
Eduardo Sousa explica que, ”até ao momento, fazíamos a recolha de órgãos em casos de morte cerebral e também já tínhamos uma modalidade de paragem cardiocirculatória, mas era a chamada ‘não controlada’, que são situações de paragens cardíacas inesperadas, são trazidas pelo INEM, são feitos todos os esforços de reanimação e, a partir do momento em que se declara a morte, procede-se a todas as manobras para o aproveitamento de órgãos para transplante”.
Com a nova legislação, a colheita de órgãos passa a ser possível em casos de paragem circulatória controlada. “São situações em que a morte já é esperada e, a partir desse momento, procede-se a todas as diligências para fazer a colheita de órgãos”, detalha.
A escassez de órgãos é o principal desafio no que se refere a transplantes e, segundo Eduardo Sousa, é difícil baixar a lista de espera tendo em conta a prevalência de doenças crónicas e o envelhecimento da população.