"Já se vive uma avalanche" de casos de demência em Portugal

"Já se vive uma avalanche" de casos de demência em Portugal

  • 22/07/2026 02:05
  • Redação

A presidente da Associação Alzheimer Portugal, Rosário Zincke, alerta que o sistema de saúde português não está preparado para o previsto aumento de casos de demência nas próximas décadas.

Rosário Zincke pede uma ação urgente para preparar o país para uma "avalanche" de casos nas próximas décadas, durante as quais deverão faltar cuidadores para acompanhar o número crescente de doentes.

"Segundo um relatório de 2025 da Alzheimer Europe, as previsões para 2050 apontam para quase 370 mil doentes, o que corresponde a quase 4% da população", aponta.

Por isso, Rosário Zincke alerta que o país "não pode perder tempo" e que é preciso "agir já", porque, no futuro, "vão faltar cuidadores e o sistema de saúde não está preparado para o impacto de uma doença que é uma das principais causadoras de incapacidade e de dependência".

"Já se vive uma avalanche que vai em crescendo nas próximas décadas", reforça.

Rosário Zincke fala num "num momento crucial para as pessoas com doença de Alzheimer ou com outra forma de demência".

"Temos um plano nacional para as demências em fase de implementação", mas "para nós, é fundamental que a inovação seja contemplada e não seja esquecida neste Plano Nacional".

A dirigente da Associação Alzheimer Portugal lembra que foram autorizados novos medicamentos na União Europeia, logo também em Portugal. São "fármacos que são promissores, que prometem alterar o curso da doença, que vão permitir ganhar mais tempo com qualidade de vida e com mais autonomia".

A par dos novos medicamentos, "há um grande desafio pela frente que será a comparticipação" dos mesmos, "para permitir que esta inovação chegue a todos que dela precisam, independentemente da sua condição económica ou do ponto geográfico onde se encontrem".

"Eu não consigo quantificar, mas na verdade a generalidade dos cidadãos com doença de Alzheimer não têm acesso a estes novos fármacos", por enquanto utilizados em alguns hospitais privados, com o custo total a ser assumido pelo utente, alerta.

A Alzheimer Portugal assinala, ainda, que os doentes em Portugal esperam, em média, 840 dias para conseguirem ter acesso a terapias inovadoras para as mais variadas doenças, mesmo que os medicamentos já tenham sido aprovados pela Comissão Europeia, mas sem que a sua comparticipação já tenha sido aprovada em Portugal.

Rosário Zincke sublinha, ainda, a importância de se estar atento aos primeiros sinais de demência, para uma "intervenção com maior sucesso", até porque, atualmente "há formas mais ágeis e acessíveis de se encontrar um diagnóstico" .

  • Fonte: Rádio Renascença
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