AMALIA é "brinquedo dispendioso". PS acusa Governo de gastar milhões com IA que não é fiável

AMALIA é "brinquedo dispendioso". PS acusa Governo de gastar milhões com IA que não é fiável

  • 22/07/2026 09:21
  • Redação

Em declarações aos jornalistas, no Parlamento, o vice-presidente da bancada socialista, Miguel Costa Matos, diz que a modernização da máquina do Estado, que tem "muitas necessidades" não pode ser feita da forma "padrão deste Governo". Critica, assim, o modelo de IA "desenvolvido pelo Estado português" que, prometera o executivo, serviria como plataforma de transformação da administração pública mas que, na prática, "não dá garantias de fiabilidade".

Garantindo que o PS não é contra investimentos em IA, o ex-lider da Juventude Socialista defende, no entanto, que o que é feito tem "de trazer benefício para os cidadãos", que "exigem melhores serviços públicos e mais crescimento económico".

"Verificámos com os exames nacionais como o Governo criou uma plataforma informática que, apesar de ter recebido avisos de que não era fiável, colocou em utilização, prejudicando o futuro de milhares de alunos portugueses", diz o deputado socialista, que não deixou de salientar alguns dos erros (as chamadas 'alucinações' de uma IA) já detetados na plataforma.

"Erra do ponto de vista de factos básicos, como quem é o primeiro-ministro ou em que datas é que houve eleições. Naturalmente, se o propósito é que esta plataforma, que custou sete milhões de euros ao Estado, tenha algum tipo de utilização da parte dos serviços públicos, então uma ou duas coisas: ou vamos ter serviços públicos que utilizam as alucinações da AMALIA, ou vamos ter serviços públicos que vão deixar a AMALIA num canto, como tantas outras inovações... e esses sete milhões de euros vão ficar desperdiçados", vaticina Miguel Costa Matos, que lamentou ainda os "atrasos de um ano na Agenda Nacional de Inteligência Artificial" e a "ausência de estratégia nacional de cibersegurança".

O modelo AMALIA é desenvolvido por uma equipa composta pela Universidade Nova de Lisboa, o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Coimbra, a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O processo de criação do AMALIA começou com a recolha e processamento de dados em português europeu em larga escala, os quais foram filtrados com base na sua relevância e qualidade linguística. Para este efeito, recorreu-se ao Arquivo da Web portuguesa. O modelo foi pré-treinado com estes dados e posteriormente afinado em outros conjuntos de dados para seguir instruções, raciocinar e resolver problemas.

Para levar a cabo o treino dos modelos, foi utilizada infraestrutura computacional em grande escala, através de supercomputadores nacionais (Mare Nostrum 5 e Deucalion) e europeus (através da rede EuroHPC).

  • Fonte: Rádio Renascença
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