Aprovado aumento do preço do estacionamento em Lisboa. PSD e PS trocam acusações

Aprovado aumento do preço do estacionamento em Lisboa. PSD e PS trocam acusações

  • 22/07/2026 15:38
  • Redação

O aumento do preço do estacionamento em Lisboa – a primeira em 15 anos – foi aprovado esta quarta-feira, em reunião da Câmara, com os votos a favor da liderança maioritária PSD/CDS-PP/IL, a abstenção do Livre e do Chega e os votos contra do PS, BE e PCP.

"O PS em Lisboa está a afastar-se da sua matriz tradicional na política de transportes, aproximando-se de um populismo irresponsável", acusou o vice-presidente da CML e vereador da Mobilidade, Gonçalo Reis, em declarações enviadas à Lusa.

O autarca considerou que votar contra um "ajuste" no preço do estacionamento de acordo com a inflação, após 15 anos sem ser revisto e que "irá gerar receita para investir na mobilidade, em ciclovias, na rede Gira e na evolução dos salários dos trabalhadores da EMEL, é leviano e contraditório".

"O PS está numa linha populista de descapitalizar as empresas municipais que têm um papel fundamental e assim atrasar investimentos e inovação", vincou Gonçalo Reis.

Já a vereação do PS afirmou que "exigir rigor, fundamentação técnica e alternativas de mobilidade não é populismo, é exigir melhores políticas públicas" e justificou o voto contra com a ausência de demonstração de que o aumento do custo do estacionamento terá impacto na redução do trânsito, do descongestionamento ou das emissões poluentes.

"Quando a única medida visível é aumentar os preços, sem reforçar as alternativas de mobilidade nem apresentar uma estratégia ambiental coerente, o objetivo parece limitar-se a arrecadar mais receita", apontaram os socialistas, em resposta escrita à Lusa, considerando que "o desequilíbrio nas contas da EMEL apresentadas em abril" torna "óbvio que o argumento ambiental serve apenas para justificar uma decisão financeira".

Segundo o PS, o vereador do Ambiente, Vasco Anjos (IL), "admitiu hoje na reunião de câmara uma motivação de racionalidade económica".

O BE, que também votou contra a proposta, lembrou que "Carlos Moedas defendeu em tempos a gratuitidade do estacionamento em Lisboa", tendo um "slogan" de campanha para as eleições autárquicas de 2021: "EMEL mais barata, com o Carlos ponha menos Moedas".

"Agora o presidente rasga a promessa eleitoral e sobe os custos, sem investir em mobilidade, visto que a Carris nunca foi tão lenta e transporta cada vez menos passageiros e a EMEL continua a não dar prioridade aos residentes", realçou o BE, convergindo com o PS no que diz respeito ao "argumento ambiental" para a decisão, que "não consegue esconder a simples necessidade de arrecadação de receitas".

Já o PCP afirmou que não se opõe ao princípio de atualização dos preços, mas opôs-se à subida "nestas condições", isto é, "sem enquadramento do plano de atividades e orçamento e com a ausência de uma política de mobilidade sustentável", e acusou o Conselho de Administração da EMEL de ser "lesto no aumento dos tarifários, mas intransigente com as reivindicações justas dos trabalhadores" quanto a atualizações salariais.

A proposta agora aprovada prevê que a tarifa suba de 0,80 euros por hora nas zonas verdes para 0,85 euros, de 1,20 euros nas zonas amarelas para 1,25 euros, dos atuais 1,60 euros nas zonas vermelhas para 1,70 euros e de 2,00 euros por hora nas zonas castanhas para 2,10 euros.

Está ainda prevista a atualização da tarifa nas zonas pretas, de 3,00 para 3,15 euros por hora, que só existem no regulamento e nunca foram aplicadas em qualquer zona da cidade.

  • Fonte: Rádio Renascença
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