Ministro da Educação: "Se tivermos os mesmos problemas, eu diria que este processo acabou em Portugal"

Ministro da Educação: "Se tivermos os mesmos problemas, eu diria que este processo acabou em Portugal"

  • 22/07/2026 17:38
  • Redação

Se os problemas se repetirem na segunda fase de exames nacionais do ensino secundário, o ministro da Educação admite que pode ser o fim da avaliação digital em Portugal.

Em entrevista à RTP, Fernando Alexandre disse esta quarta-feira que as falhas estão a ser corrigidas e acredita numa segunda fase menos atribulada para os alunos.

“Temos agora uma segunda fase que nos vai permitir corrigir uma série de procedimentos que falharam neste processo, por isso é um teste muito importante a este sistema. Imagine que nós tínhamos os mesmos problemas, eu diria que este processo acabou em Portugal. Voltávamos ao papel, seria um falhanço muito grande para o sistema educativo porque era mesmo retroceder”, sublinha o governante.

O ministro adianta que, "até agora, não identificámos erros que tenham resultado de negligência grosseira" e refere que "os erros informáticos acontecem". "Na primeira fase aconteceram erros que não se podem repetir”, sublinha.

Nesta entrevista à RTP, Fernando Alexandre adianta que foram reportados pelos alunos 680 casos de erros na digitalização dos exames, num universo de 290 mil.

“Estamos a falar de uma percentagem muito pequena, não estou a desvalorizar, mas o que me tranquilizou desde o início é que eu sei que vamos poder corrigir todos os erros. Todos os alunos vão ter a sua classificação e não serão prejudicados quer no acesso ao ensino superior quer na conclusão do ensino secundário”, garante.

Mais de 260 mil provas corrigidas foram enviadas aos alunos, refere o ministro, que não dispõe de dado sobre pedidos de reapreciação de notas.

“Nós ontem [terça-feira] tínhamos mais de 260 mil provas distribuídas das 290 mil do secundário e isso mostra que os alunos quiseram ver as provas, têm a experiência, olham para a classificação, vão poder pedir a reapreciação e vai ter mecanismos para lhe garantir a justiça.”

Depois de corrigidas todas as falhas, o processo de avaliação digital dos exames nacionais do ensino secundário vai ser uma “referência a nível internacional”, acredita o ministro da Educação.

Fernando Alexandre diz o processo de correção dos exames foi “bem desenhado” e é um trabalho que começou há vários anos.

“Nós não chegamos à digitalização este ano sem termos feito nada antes. Em 2024 adiamos e fizemos em papel, em 2025 fizemos 900 mil provas de ensaio, em todo o país fizemos 600 mil provas ModA e mais de 200 mil provas do 9.º ano. Tudo em digital em todo o país, o que também toda a gente dizia que era impossível, que ia correr mal e que as escolas não aguentavam.”

O ministro assume que é sua a responsabilidade final de avançar para a avaliação digital este ano, após os problemas registados na prova piloto de Filosofia do ano passado, mas sublinha que recebeu garantias.

“Seria uma leviandade fazer uma mudança para um sistema de avaliação completamente novo sem ter uma avaliação. Houve uma avaliação. O que foi reportado, as reuniões estão gravadas, existe informação escrita de que o processo decorreu sem problemas de maior. Foi um problema diferente. Os erros identificados resultaram em grande medida da digitalização ter sido descentralizada, em cada escola, não foi feita centralidade e com os equipamentos modernos que estão na Imprensa Nacional - Casa da Moeda”, explica.

  • Fonte: Rádio Renascença
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