Fundação de Portugal. "Não vejo como não celebrar, com certo orgulho e sem preconceito", diz Paulo Portas
- 22/07/2026 16:05
- Redação
Paulo Portas tomou posse, esta quarta-feira, como comissário-geral para as Comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal. Na cerimónia, que decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa, disse que aceitou o convite e a designação para esta função "com honra", frisando que é o país inteiro que será celebrado. "Há quase 900 anos que vivemos juntos", declarou.
Na sua intervenção, o ex-vice-primeiro-ministro lembrou que Portugal foi fundado ainda antes do conceito de Estado-nação.
"Portugal não nasceu do nada. Bem antes do século XII, a forma original da língua portuguesa, nascida do latim literário, comum e absorvendo vocábulos de influências galaicas e árabes, já se sedimentava e fragmentava. Para não ir mais longe, é logo em 1096 que nasce uma instância política nova, que uniria os condados Portugalense e de Coimbra, anunciando toda uma transformação territorial que mais tarde chegaria. Quando Portugal começou, estávamos a séculos de distância do conceito de Estado-nação. O nascimento e desenvolvimento de Portugal enquanto Estado e enquanto nação é, nesse plano, uma proeza bastante invulgar", afirmou.
Paulo Portas realçou também que Portugal é uma das nações mais antigas, na história da Humanidade.
"Portugal é um dos países mais antigos da Europa e aquele que mais cedo alcançou a estabilidade das fronteiras que ainda hoje se mantém. É aqui que está a diferença. Na verdade, territorialmente, somos o que fomos a partir do século XIII. Não vejo como não celebrar, com certo orgulho e sem preconceito, essa memória que confirma o nosso carácter europeu e a nossa singularidade na Europa", apontou.
Em 2028, Portugal vai celebrar os 900 anos da sua fundação. O objetivo é aprofundar o conhecimento pela identidade do país e coordenar as celebrações de marcos históricos como a Batalha de São Mamede, que decorreu em 1128, a batalha de Ourique, que data de 1139, e o Tratado de Zamora de 1143, que foi decisivo para a emancipação Castela e para a formação do território que viria a dar lugar a um país independente. Nesse ano, na cidade de Zamora, reuniram-se Afonso VII, rei da Galiza, Castela e Leão, e o seu primo Afonso Henriques, Conde de Portucale.
O acordo firmou o reconhecimento do título de rei a Afonso Henriques e a independência do Condado Portucalense, futuro Reino de Portugal.
Até ao final do ano vai ser conhecido o programa de comemorações, disse aos jornalistas a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, que presidiu à cerimónia.
A governante afirmou também que os próximos meses vão servir para fazer um trabalho de articulação com as várias entidades envolvidas.
“Vai passar os próximos dois ou três meses a reunir com personalidades, historiadores e entidades das mais diversas áreas, naturalmente algumas delas da área da cultura. O envolvimento com escolas e instituições do ensino superior será particularmente relevante”, sublinhou.
O orçamento para as comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal também será divulgado até ao final do ano. Será financiado com apoios estatais e do mecenato, disse a ministra da Cultura.