"Portugal merece ganhar mais". CIP defende contrato social para crescimento e salários

"Portugal merece ganhar mais". CIP defende contrato social para crescimento e salários

  • 23/07/2026 02:00
  • Redação

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e o Instituto Amaro da Costa (IDL) apresentam, na próxima semana, um estudo com o qual querem mobilizar o país. O trabalho, assinado pelo Nobel da Economia James A. Robinson e pelo economista português Nuno Palma, tem como título “Desbloquear o Crescimento de Portugal”.

O presidente da CIP, Armindo Monteiro, assegura que não se trata de uma solução segmentada, não é “um modelo liberal”, mas “um modelo de economia de mercado, de iniciativa privada, de responsabilidade”, para todos.

Este é um trabalho realizado por James A. Robinson, Prémio Nobel da Economia 2024, professor da Universidade de Chicago e um dos autores do livro “Porque falham as Nações”; e do economista português Nuno Palma, historiador económico da Universidade de Manchester, autor de “As causas do atraso português”.

“Estes dois economistas pareceu-nos que juntavam o know-how necessário para nos darem uma reflexão sobre Portugal”, refere Armindo Monteiro. O objetivo é “aprender com os erros, não é “apontar o dedo a ninguém, menos ainda declarar inimigos ou responsáveis”, assegura.

Mas avisa que é preciso sair da zona de conforto, “Portugal hoje não tem uma visão de médio e longo prazo, a visão hoje é, sobretudo, uma política redistributiva, ninguém tem a preocupação de uma política de produção”, lamenta. “Porque só se pode distribuir aquilo que se produz”.

A CIP e o IDL-Instituto Amaro da Costa querem passar a mensagem de que “estamos a tempo de fazer transformações, desde que façamos um compromisso”. Para isso, será necessário “envolver representantes dos trabalhadores, para que saiam da base do medo e venham connosco construir soluções”, diz Armindo Monteiro.

“Portugal merece ganhar mais”, defende. Para isso é preciso “que os políticos cumpram, efetivamente, o seu papel e o seu papel é servir uma sociedade. Nunca tantos dependeram de tão poucos, aquilo que nós esperamos é que os poucos, que são os líderes da nossa comunidade política, empresarial, sindical, que se envolvam naquilo que é essencial”.

Esta é a fórmula para mobilizar todos. “Dizemos que Portugal merece, precisa, de mais rendimento para todos, mais capacidade para todos, merece ganhar mais e, com isto, merece estar mais protegido”, conclui.

Ainda debaixo da sombra de dois chumbos da reforma do Código do Trabalho, Armindo Monteiro diz que é preciso ultrapassar a ideia de “guardar o poucochinho que temos, porque podemos perder esse poucochinho”, é preciso “ousar”.

Mais e melhor investimento público e privado, justiça mais rápida, menos entraves ao licenciamento e flexibilização da legislação laboral, são alguns dos pontos críticos apontados pelos empresários.

O pacote laboral pretendia “melhorar a produtividade e, por essa via, aumentar os salários”, lembra Armindo Monteiro. “Só faz sentido mudar o Código do Trabalho se for para esse objetivo, se for para manter a situação como está, não precisa mudar”. Para aumentar os rendimentos precisamos de alterar as regras do trabalho? “Precisamos”, garante o presidente da CIP.

O estudo “Desbloquear o Crescimento de Portugal”, será apresentado no dia 30 de julho, no Museu do Oriente, em Lisboa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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