Mariana Vieira da Silva apela a inclusão das notas da segunda época de exames na primeira fase de acesso ao Superior

Mariana Vieira da Silva apela a inclusão das notas da segunda época de exames na primeira fase de acesso ao Superior

  • 23/07/2026 02:15
  • Redação

A socialista Mariana Vieira da Silva sugere ao ministro da Educação que permita a um aluno candidatar-se na primeira fase de acesso às universidades agregando as notas dos exames nacionais das primeira e segunda fases.

Na base desta posição está a acumulação de erros assinalados por Mariana Vieira da Silva. "Há um conjunto de alunos que, ou porque a prova se perdeu, ou porque foi mal corrigida, ou porque fez uma disciplina e precisa dela para entrar na universidade, onde há erros de correção já reconhecidos pelo Ministério, não vai poder ir à primeira fase do ensino superior e vai ficar com as vagas que sobram", denuncia a ex-ministra do PS.

Mariana Vieira da Silva considera "preocupante" a "desvalorização permanente" do problema e da sua gravidade pelo ministro da Educação. Questionada sobre as condições que o ministro tem para continuar no cargo, a deputada responde que "qualquer pessoa no lugar de Fernando Alexandre, com a exigência que Fernando Alexandre sempre teve para com os outros, sentiria que não tinha razões para continuar".

A ex-governante desvaloriza a existência ou não de um documento deixado pelo antigo presidente do Júri Nacional de Exames sobre o projeto piloto realizado no exame de Filosofia.

"O ex-presidente do Júri Nacional de Exames também disse que o ministro nunca tinha estado em nenhuma das reuniões. Quantas vezes é que eles estiveram juntos? Alguém que toma uma decisão e que sabe que houve um projeto piloto, vê que nos papéis que lhe mandam que não consta nenhum balanço, e não pergunta? Houve uma pessoa que saiu. E o resto das equipas? Em quantas reuniões estiveram? Quantos dirigentes foram ouvidos para esta reorganização? Suspeito que a resposta é zero", afirma Mariana Vieira da Silva.

A deputada do PS diz que a responsabilidade é sempre do ministro da Educação. "E não é em último lugar, é mesmo em primeiro". Só a divulgação de mais informação detalhada por Fernando Alexandre pode evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, argumenta a vice-presidente da bancada socialista.

"Sou contra a proliferação de comissões de inquérito. O que aqui me leva a achar que pode vir a ser preciso é o ministro nunca dizer números. Nem sequer conseguimos saber em detalhe quantas pessoas é que estão em situações de injustiça. O ministro tem toda a capacidade de tornar pública a informação e de evitar uma comissão de inquérito. Mas, se continua neste registo de dizer sempre por alto, que os casos são apenas “residuais”, e depois vem-se a saber que são milhares, então não teremos outra forma de saber a verdade, principalmente para o futuro, a não ser através de uma CPI", sustenta a deputada do PS.

Mariana Vieira da Silva defende uma digitalização progressiva nos exames nacionais, mostrando maior resistência no ensino básico e maior abertura no final do secundário.

" Tendo a ser contra esta digitalização absoluta nas crianças mais jovens, porque as provas 'à mão' têm que fazer parte do seu processo educativo. E tendo a ser mais favorável, à medida que nos aproximamos do final do secundário, num momento em que os jovens só vão usar o modo digital como forma de apresentação do seu trabalho", argumenta a dirigente do PS que encara a atual correção digital de provas físicas como "um ponto intermédio da reforma".

A ex-ministra sublinha a necessidade de garantir igualdade no acesso a computadores e outros meios. "Relembro que, associada a esta medida política, havia uma outra, de distribuição de computadores, a vários anos de escolaridade. Tenho vários relatos de que deixou de acontecer. E isso cria uma desigualdade que não podemos tolerar", alerta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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